Sexta-feira, 16 de outubro de 2026
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Tragédia fez Praça Tamandaré deixar de ser ponto de jovens que tiravam racha de carro em Goiânia, em 1980

Tragédia fez Praça Tamandaré deixar de ser ponto de jovens que tiravam racha de carro em Goiânia, em 1980

Além disso, A Praça Tamandaré, no Setor Oeste, em Goiânia, já foi tão conhecida pelos rachas de carros que a Prefeitura decidiu modificar seu desenho para dificultar as corridas. Dessa forma, O que hoje é um espaço de convivência, comércio e realização da Feira da Lua foi, nas décadas de 1970 e 1980, um dos principais pontos de encontro de motoristas e motociclistas da capital. Com isso, uma pesquisa da Universidade Federal de Goiás (UFG) revela que a tradição automobilística era ainda mais antiga: a praça chegou a receber competições oficiais de automóveis.

Nesse sentido, A descoberta consta na dissertação de mestrado da pesquisadora Lyvia Caroline Pires, desenvolvida na UFG. Portanto, O estudo recupera documentos do Instituto de Planejamento Municipal (Iplan), reportagens e registros históricos sobre a transformação do Setor Oeste. Em seguida, segundo o memorial do projeto de reurbanização de 1988, as antigas competições ajudaram a criar uma tradição de corridas que continuou mesmo depois de as disputas nas ruas se tornarem um problema de segurança pública.

De acordo com as apurações, A movimentação acontecia principalmente nos fins de semana, quando jovens se reuniam para mostrar carros, motocicletas e acompanhar manobras arriscadas. Por outro lado, O barulho dos motores, as arrancadas e os chamados cavalos de pau atraíam espectadores, mas também provocavam acidentes e reclamações. Vale destacar que A situação levou o poder público a estudar uma solução que fosse além do policiamento: mudar a própria configuração das pistas para impedir que os veículos desenvolvessem altas velocidades.

Contexto e detalhes sobre Praça Tamandaré

Sendo assim, uma das curiosidades reveladas pela pesquisa da UFG é que a relação da Praça Tamandaré com o automobilismo não começou com os rachas clandestinos. Além disso, O memorial elaborado pelo Iplan em 1988 reconhecia que o espaço havia sido utilizado oficialmente para corridas de automóveis, o que contribuiu para transformar a região em referência para os apaixonados por velocidade.

Dessa forma, A tradição continuou ao longo dos anos. Com isso, na década de 1980, a praça já apresentava grande concentração de veículos e figurava entre os locais com problemas de acidentes e ocorrências policiais, conforme os documentos analisados pela pesquisadora. Nesse sentido, as disputas aconteciam tanto durante o dia quanto à noite, especialmente nos fins de semana.

Portanto, O cenário também estava ligado à vida social da época. Em seguida, A Praça Tamandaré era frequentada por jovens que circulavam entre bares, boates e pontos de encontro do Setor Oeste. Para parte daquele público, os carros representavam uma forma de lazer e exibição. Para os moradores e demais frequentadores, entretanto, as manobras perigosas transformavam as ruas em locais de risco.

Tragédia com duas adolescentes marcou a história da praça

O problema ganhou ainda mais gravidade em 1987. Uma reportagem do jornal Diário da Manhã, publicada em 25 de maio de 1988, relembrou a morte de duas adolescentes que vendiam flores na região. Segundo o jornal, elas foram atropeladas em setembro do ano anterior, episódio que intensificou as discussões sobre a necessidade de impedir os rachas.

O caso expôs os riscos enfrentados não apenas por quem participava das disputas, mas também por trabalhadores, pedestres e pessoas que frequentavam os estabelecimentos próximos. A reportagem registrou que a Prefeitura havia elaborado um projeto para inviabilizar as corridas realizadas nos fins de semana.

A reforma estava inicialmente prevista para janeiro de 1988, mas não começou naquele momento por falta de recursos. O atraso prolongou uma discussão que envolvia autoridades, moradores e jovens frequentadores da praça.

Prefeitura planejou ilhas nas pistas para impedir cavalos de pau

O projeto de reurbanização de 1988 não previa apenas uma mudança estética. A proposta buscava alterar a circulação dos automóveis e dificultar fisicamente as manobras que haviam se tornado frequentes na Praça Tamandaré.

De acordo com o documento histórico recuperado pela pesquisa da UFG, técnicos do Iplan avaliaram alternativas como a instalação de quebra-molas e a ocupação de parte das pistas com estacionamentos. Essas possibilidades foram descartadas em favor de uma intervenção mais ampla.

A solução escolhida previa reduzir a área asfaltada, implantar estacionamentos em ângulo e construir ilhas nos cantos das pistas. A intenção era impedir os cavalos de pau e diminuir a velocidade dos automóveis. O projeto mencionava a expectativa de reduzir velocidades que chegavam a 80 km/h para menos de 50 km/h.

A proposta também contemplava melhorias para pedestres e atividades de lazer, com ampliação das áreas verdes, espaços de caminhada, equipamentos de ginástica e parque infantil. Em vez de manter a praça organizada principalmente em função dos veículos, o poder público pretendia favorecer a utilização do espaço pela população.

Jovens reclamaram e disseram que os rachas mudariam de endereço

A proposta de reforma provocou resistência entre frequentadores da Praça Tamandaré. Em reportagem publicada pelo Diário da Manhã em maio de 1988, alguns jovens criticaram as mudanças e argumentaram que Goiânia oferecia poucas alternativas de lazer.

Um dos entrevistados, Carlos Henrique Bernardes, então com 20 anos, avaliou que a intervenção não acabaria com os rachas. Na opinião dele, os encontros poderiam simplesmente ser transferidos para outros pontos da cidade, como o cruzamento das avenidas T-6 e T-1.

A reportagem também ouviu o escritor Carmo Bernardes, que considerava necessárias as mudanças na praça, mas demonstrava preocupação com a ausência de alternativas de diversão para os jovens. O debate mostrava que o problema não envolvia apenas trânsito: também dizia respeito à maneira como a juventude ocupava os espaços públicos de Goiânia.

Em outubro de 1988, o Diário da Manhã voltou a tratar da reforma e informou que a Prefeitura buscava recursos e providências para executar o projeto. Esse registro é importante porque demonstra que a transformação não ocorreu de maneira imediata.

Pesquisa da UFG explica como a Praça Tamandaré mudou

A relação entre os rachas e a transformação da praça voltou a ser examinada em uma pesquisa acadêmica divulgada pela UFG em março de 2026. O trabalho de Lyvia Caroline Pires investigou a formação do Setor Oeste a partir de espaços públicos como a Praça Tamandaré, a Praça do Sol, o Bosque dos Buritis e o Parque Lago das Rosas.

O estudo mostra que a praça se consolidou como um dos principais pontos de encontro da juventude nas décadas de 1970 e 1980 e que os rachas motivaram o projeto de reurbanização de 1988. A documentação histórica permite compreender por que a Prefeitura decidiu alterar o traçado do local, embora os registros consultados não estabeleçam uma data única para a conclusão de todas as intervenções.

Com o passar dos anos, a Praça Tamandaré ganhou novas funções. A Feira da Lua, criada no início da década de 1990, tornou-se uma de suas principais atrações. O espaço também passou a receber eventos culturais e decoração natalina, mantendo sua importância na vida dos moradores.

A história revela uma transformação pouco conhecida de Goiânia: um espaço público precisou ser redesenhado para enfrentar um comportamento perigoso que havia se tornado tradição. Décadas depois, os carros antigos e os encontros da juventude permanecem nas fotografias e nos documentos que ajudam a contar como era a capital.

Para mais detalhes e apuração completa, consulte a fonte da notícia.

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Redação Foco Goiás