
O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre deste ano, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última terça-feira (1º/9), mostrou desaceleração da economia.
O país cresceu 0,5% de abril a junho. Ao longo da semana, instituições públicas e agentes do mercado manifestaram preocupação com a situação atual dos juros e do endividamento, apontados por parte dos analistas como pontos importantes para a diminuição no ritmo da expansão econômica.
A desaceleração foi verificada na comparação entre o primeiro e o segundo trimestre deste ano. De janeiro a março, a expansão do PIB foi de 1,1%. O último trimestre teve desempenho mais modesto, de 0,5%.
Além do número, chamou a atenção a redução na demanda, puxada pelo item de consumo das famílias. Este tópico recuou 0,4% ante um crescimento de 0,8% no primeiro trimestre deste ano.
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do Metrópoles
O PIB do Brasil
- Produto Interno Bruto é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos por um país, estado ou cidade, em um ano. A divulgação é feita trimestralmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
- Uma alta significa que a economia está crescendo em um ritmo bom. Por outro lado, um recuo implica encolhimento da produção econômica da nação.
- A estimativa do Banco Central (BC) para o crescimento da atividade econômica do país neste ano é de 2%. Já o Ministério da Fazenda projeta uma expansão mais otimista, de 2,3%. Para o mercado financeiro, o PIB do Brasil avançará 1,92% em 2026.
- Em 2025, a economia brasileira cresceu 2,3%, ante crescimento de 3,4% no ano de 2024.
O consumo das famílias é importante porque impacta diretamente o setor de serviços, que é o maior da economia, seguido por indústria e agropecuária. Veja o desempenho dos setores da economia no segundo trimestre:
- agropecuária: 2,8%;
- serviços: 0,2%; e
- indústria: 0,1%.
O Ministério da Fazenda creditou aos juros altos e ao endividamento elevado das famílias o resultado do PIB. A manifestação foi feita por meio de uma nota técnica editada pela Secretaria de Política Econômica (SPE) da pasta.
“O quadro é consistente com os efeitos ainda predominantes da política monetária restritiva sobre os vetores da absorção doméstica e sobre os setores mais cíclicos da economia, particularmente a indústria de transformação, a construção e o comércio, em um ambiente de endividamento elevado”, diz trecho do documento.
Diante do cenário atual, a Fazenda realiza uma revisão na projeção para o PIB e anunciou que isto é feito com “viés de baixa”. A previsão atual de crescimento do PIB de 2026 da pasta está atualmente em 2,3%.
“A projeção da SPE para o PIB de 2026 é atualmente de 2,3%, encontrando-se em revisão para o próximo Boletim Macrofiscal, com viés de baixa”, afirmou a SPE na nota de terça.
Os juros
Os juros da economia são influenciados pela taxa básica, a Selic, índice que está em 14% ao ano. No entanto, a Fazenda e o próprio mercado criticam o patamar vigente dos juros na economia.
“O dado que chama mais atenção é o consumo das famílias, que caiu 0,4% na comparação com o primeiro trimestre. É uma sinalização clara de que os juros ainda elevados estão pesando sobre a demanda”, considera o conselheiro da Ancord, Pablo Spyer.
A Selic está em ciclo de queda. A última redução foi de 0,25 ponto percentual, quando o patamar era de 14,25% ao ano. O próximo encontro do Copom para deliberar sobre a Selic está marcado para realização nos dias 15 e 16 deste mês.
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Inadimplência chegou a 9,2 milhões de empresas em julho
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Fachada do Ministério da Fazenda
Washington Costa/MF
Hugo Motta acertou com ministros que proposta alternativa do governo irá direto para comissão especial do MEI
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Banco Central
VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Medidas de reversão
Na última quarta-feira (2/9), Banco Central publicou, por meio do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), uma nota demonstrando preocupação com a situação dos juros ao consumidor. A instituição afirmou que prepara medidas para reduzir os riscos associados à elevada participação de crédito mais caro na composição da dívida das famílias.

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“O Banco Central prepara medidas voltadas à mitigação dos riscos associados a essa dinâmica, de forma a fortalecer a sustentabilidade do crédito e a resiliência do sistema financeiro”, diz a autoridade monetária.
O endividamento está elevado, perto do recorde histórico (49,9%). O índice apurado pelo Banco Central é de 49,8% para as famílias endividadas. Evidência da preocupação do governo federal com o endividamento e o compromento de renda das famílias foi o lançamento, em 4 de maio deste ano, do programa Novo Desenrola Brasil, o Desenrola 2.0.
A iniciativa visa a facilitar a renegociação de dívidas com juros menores para a população.










