O futebol brasileiro carrega histórias que vão além das quatro linhas. Em meio a disputas por títulos, alguns clubes também tiveram papel importante na luta contra o preconceito e na defesa da inclusão em um esporte marcado, desde seus primeiros anos, por barreiras sociais e raciais. É nesse contexto que a trajetória do Vasco da Gama ganha destaque em uma produção cinematográfica que resgata dois episódios decisivos da história do clube.
O filme sobre os Camisas Negras do Vasco tem estreia nacional prevista para 19 de novembro, na véspera do feriado da Consciência Negra. Antes do lançamento, o Rio de Janeiro recebe uma pré-estreia em 7 de novembro, às 20h, no Cine Odeon.
Dirigida por Jefferson Mello, a produção mistura ficção e documentário para revisitar a conquista do Campeonato Carioca de 1923, quando o Vasco acabara de chegar à elite estadual, e a Resposta Histórica de 1924, episódio em que o então presidente do clube, José Augusto Prestes, se recusou a dispensar jogadores negros e operários diante da pressão para afastá-los da equipe.
Um elenco com quem torce
Entre os atores está Thelmo Fernandes, vascaíno declarado, que recebeu com surpresa o convite do diretor Jefferson Mello. Ao conhecer a proposta, o ator chegou a se oferecer para participar gratuitamente da produção.
“Cara, foi tão maravilhoso assim porque quando eu recebi o convite do Jeff, ele me falou sobre o que que era o filme e eu falei cara, não é possível, eu não tô acreditando. Posso fazer de graça?”, contou.
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O elenco também reúne Brenno Leone, Rodrigo Candelot, Aline Dias, Bruno Mazzeo, Sérgio Malheiros e Juan Paiva. O jornalista e escritor Paulo César Vasconcellos participou do projeto como consultor e pesquisador.
A história por trás dos Camisas Negras
A conquista vascaína de 1923 entrou para a história por reunir jogadores negros e trabalhadores em uma equipe que superou adversários tradicionais e conquistou o Campeonato Carioca. Na época, o futebol ainda era marcado por práticas de exclusão racial e social.
A resistência do clube ganhou novo capítulo no ano seguinte. Em 1924, diante da pressão para afastar atletas que não se enquadravam nos critérios impostos por setores da organização do futebol carioca, José Augusto Prestes se recusou a abrir mão dos jogadores. A posição ficou conhecida como Resposta Histórica e se tornou um símbolo da luta contra a discriminação no esporte.
A estreia nacional às vésperas do Dia da Consciência Negra reforça a dimensão histórica e social da obra, que busca recuperar a memória de personagens e acontecimentos fundamentais para compreender não apenas a trajetória do Vasco, mas também os desafios enfrentados pela população negra na história do futebol brasileiro.
*estagiária sob supervisão de Alexandre de Aquino
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