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Pagamentos por aproximação movimentam R$ 1 trilhão no 1º semestre

Pagamentos por aproximação movimentam R$ 1 trilhão no 1º semestre
Joe Raedle/Getty Images
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Os pagamentos por aproximação movimentaram R$ 1 trilhão no Brasil no primeiro semestre de 2026, o que representa uma alta de 18,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os dados são da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs).

A modalidade, baseada em tecnologia de comunicação por proximidade, já responde por 76,2% de todas as transações presenciais realizadas com cartões. Segundo a Abecs, o patamar indica uma consolidação do modelo no cotidiano dos consumidores, que passaram a priorizar meios de pagamento mais rápidos e sem a necessidade de contato físico.

Segundo a entidade, o crescimento reflete tanto a ampliação da infraestrutura, com praticamente todas as maquininhas já aptas a operar por aproximação, quanto a mudança de comportamento do consumidor.

A tendência, de acordo com a instituição, é de expansão contínua nos próximos anos, com a modalidade se aproximando da totalidade das operações presenciais.

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O levantamento com consumidores mostra que 73% dos brasileiros já utilizam o pagamento por aproximação.

O cartão físico ainda é o principal meio para esse tipo de transação, usado por 65% dos clientes, seguido por celulares, com 41% e relógios inteligentes, com 2%.

O avanço dos pagamentos por aproximação no Brasil ocorre de forma consistente nos últimos anos. Em 2024, a modalidade representava pouco mais de 60% das compras presenciais, percentual que subiu para cerca de 70% em 2025 e agora ultrapassa 76% em 2026.

A trajetória reforça a rápida digitalização dos meios de pagamento no país, impulsionada por inovação tecnológica, maior inclusão financeira e mudanças no comportamento do consumidor após a pandemia de Covid-19, em 2020.

A expectativa do setor é de que o ritmo de crescimento permaneça elevado, com novas soluções baseadas em aproximação e integração com carteiras digitais e Open Finance ampliando ainda mais o uso desses meios nos próximos anos.

Zero custo

De acordo com o Professor de economia da Strong Business School, Sandro Maskio, essa modalidade é uma revolução nas formas de pagamento, já que permite eficiência com zero custo.

“O crescimento dessa forma, desse formato de pagamento, para além das vantagens e as facilidades, envolve também o consumidor, a escolha do consumidor e a adaptação do consumidor. A gente tem que lembrar que ele é um meio eletrônico de pagamento e requer algum conhecimento, estabilidade e a interação com esse meio eletrônico que é o celular”, afirmou.

Ele aponta que, no Brasil, nem todos tem acesso com facilidade a esse tipo de tecnologia, e por isso a modalidade passa por um período de adaptação e de construção de confiança.

“À medida que ele vai se mostrando mais sólido, que traga menos problemas, que se mostre mais estável, tudo isso torna mais atraente e o consumidor mais confiante na utilização desse meio de pagamento, o que tende a ampliar a participação da utilização desse meio de pagamento frente a outras formas de pagamento”.

Entenda o que é o Open Finance

  • O Open Finance permite que clientes autorizem o compartilhamento de suas informações, como contas, histórico e produtos, entre diferentes instituições financeiras;
  • O cliente decide quais dados serão compartilhados, com quem e por quanto tempo, por meio de consentimento explícito. A medida pode ser revogada a qualquer momento;
  • Ao permitir que bancos, fintechs e outras instituições acessem dados, o sistema amplia a competição e incentiva a oferta de produtos mais personalizados e baratos;
  • A estrutura vai além dos serviços bancários, incluindo também seguros, investimentos, previdência e câmbio dentro do ecossistema de compartilhamento.

Novas tecnologias de pagamento

Além da aproximação tradicional, outras soluções baseadas na mesma tecnologia avançam no país. É o caso do “tap on phone”, que transforma smartphones e tablets em maquininhas de pagamento.

Essa modalidade movimentou R$ 53,6 bilhões no primeiro semestre, com crescimento de 79,2% em um ano. O crédito concentrou a maior parte das operações, somando R$ 50 bilhões, enquanto débito e pré-pago tiveram participação menor.

Em dois anos, o crescimento acumulado da modalidade chega a mais de 470%, impulsionado pela redução de custos para estabelecimentos comerciais e pela maior facilidade de adoção, especialmente por pequenos negócios.

Outra aposta do setor é o “click to pay“, voltado para pagamentos online. Apesar de ainda em fase de expansão, a expectativa da indústria é que a solução ganhe tração ao longo de 2026, com maior integração entre credenciadoras e plataformas digitais.

Pix por aproximação

O Pix por aproximação, no entanto, ainda registra baixa adesão no Brasil, com participação residual dentro do universo do próprio Pix.

Dados do Banco Central (BC) indicam que a modalidade respondeu por cerca de 0,01% das transações e 0,02% do volume movimentado, apesar de ter apresentado crescimento gradual desde a sua implementação.

Entre os principais entraves está a limitação tecnológica, especialmente em dispositivos da Apple. O acesso restrito à tecnologia em iPhones dificulta a oferta do serviço por bancos e fintechs, o que reduz o alcance da funcionalidade justamente entre usuários.

Além disso, o modelo ainda depende de integração com carteiras digitais e infraestrutura específica, o que torna a implementação mais complexa para instituições e varejistas.

Outro fator relevante é o baixo nível de conhecimento sobre a ferramenta, tanto por consumidores quanto por lojistas. Muitos estabelecimentos ainda não sabem que suas maquininhas já são compatíveis com o recurso, e a falta de familiaridade no ponto de venda acaba gerando fricção na experiência.

“Lembrando que para utilizar o Pix é preciso estar usando um celular com o aplicativo do banco. E a gente tem que lembrar que existem pessoas que não andam com o celular com o aplicativo de banco instalado. Muitas vezes o aplicativo fica em um aparelho em casa por uma questão de segurança, o que pode impactar no uso do Pix por aproximação”, destacou o professor.