
Após reportagens publicadas pelo Metrópoles e pela Rede Globo, a suposta médium Maira Rocha fez lives com acusações falsas contra pessoas que deram entrevistas aos veículos de comunicação. Em um dos casos, ela mentiu aos seus milhares de seguidores ao dizer que uma mulher havia traído o marido que fazia tratamento para vencer o câncer.
Na mesma live, Maira contou outra inverdade para sua milícia digital se insurgir contra quem conseguiu provar que suas psicografias eram retiradas de informações disponíveis na internet.
Ao dizer ao séquito que nunca havia tido contato com uma criança que perdeu o pai, a mãe do garoto apresentou um print onde o perfil no Instagram da Casa de Caridade Inácio Daniel conversa, por meio do direct, com o menino. Durante a conversa, Maira passa seu número à criança, pede para ela “dar um oi” e diz que “bateu saudades”.
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do Metrópoles DF
Ao inflamar seus seguidores a atacar jornalistas, pesquisadores e vítimas de suas falsas cartas, alguns passaram a escrever graves ameaças. Um deles se irritou com um comentário de um rapaz que simplesmente duvidou do dom mediúnico de Maira e disparou: “Vendo seu perfil, será que você realmente é pai dos seus filhos ou seria um pedófilo?”. Veja abaixo.

O método usado por Maira para descredibilizar quem ousa discordar de seus métodos é antigo. Durante audiência referente a um processo que ele moveu contra um renomado pesquisador espírita, ela o acusou na frente do juiz de ter abusado e violentado a própria mãe.
Veja vídeo:
Maira diz ao magistrado que a denúncia teria sido repassada pela irmã do pesquisador, mas, depois, a própria irmã do homem veio a público desmentir.
“Eu declaro que nunca, por nenhum meio de comunicação, jamais entrei em contato com a senhora Maira Alexandrino Leubino Freitas, também conhecida como Maira Rocha, para falar de qualquer assunto que fosse, muito menos assuntos pessoais e familiares. Fui informada de que essa senhora usou o meu nome em depoimento oral em juízo. Fiquei estarrecida com o conteúdo citado em depoimento e venho, por essa declaração, negar o que foi dito sobre mim, sobre meu irmão e negar qualquer contato com a senhora Maira”, afirmou a irmã do pesquisador.

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Milícia digital da médium Maira Rocha ataca e ameaça vítimas que a criticam
Uma engrenagem orquestrada de intimidação, assédio em massa e linchamento virtual opera diariamente nos bastidores para silenciar qualquer um que ouse questionar as atividades da médium Maira Rocha. O exército digital, formado por um séquito feroz e radicalizado de seguidores da líder espiritual, promove ataques coordenados e sem piedade contra jornalistas, pesquisadores, políticos e cidadãos comuns.
O objetivo é claro: neutralizar denúncias e destruir a reputação de quem coloca sob suspeita a veracidade das cartas psicografadas emitidas pela mulher que comanda a Casa de Caridade Inácio Daniel, em Águas Claras.
Um boletim de ocorrência registrado no início deste mês pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). O documento detalha o desespero de um homem que se viu encurralado por uma enxurrada de mensagens intimidatórias disparadas em múltiplos canais — redes sociais, WhatsApp, e-mail e ligações telefônicas diretas.
Todos os perfil que enviaram mensagem foram printados pela vítima e enviados para análise dos investigadores. A depender do teor das acusações, esses seguidores de Maira poderão responder pelo crime de stalking. O mesmo foi feito por uma idosa que desmascarou uma carta e passou a receber uma enxurrada de xingamentos nas redes sociais.
Um político radicado em Brasília, que registrou uma ocorrência que deu origem ao inquérito instaurado na 11ª Delegacia de Polícia (Núcleo Bandeirante), passou ser duramente atacado pela milícia virtual.
A vítima, ao constatar ter sido lesada por uma suposta fraude espiritual — quando recebeu uma carta falsa atribuída à sua falecida mãe —, virou alvo prioritário da milícia virtual logo após o caso vir à tona no Metrópoles, em matéria publicada no último dia 31 de agosto de 2026.
Assim que o texto foi ao ar, o telefone da vítima não parou mais de tocar. Números desconhecidos e perfis em redes sociais passaram a disparar acusações violentas, cobrando o homem por ter levado o caso à imprensa e alegando que ele ocultou trechos do documento.
“O Sr. está propagando mentiras, usando de parentesco para ajudar pessoas ruins a disseminar notícias mentirosas, essas pessoas são os mesmos que perseguem Maira a 6 anos” [sic], dizia uma das mensagens enviadas ao seu direct no Instagram.
“Covarde”
Outra abordagem, com tom ostensivo de cobrança a um agente público, afirmava: “Agora não dá para aceitar covardia, você serve a população, um político que deveria dar exemplo, usar de meios para fazer pqe não postou a carta completa?” [sic].
Acostumado ao debate público, o homem relatou à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) que o teor, a frequência e a insistência do assédio cruzaram a linha do debate e se tornaram ameaças reais, deixando-o profundamente acuado. Ele entregou o histórico de chamadas e os prints das conversas às autoridades para fundamentar a investigação penal.
A horda de seguidores da médium não poupou jornalistas e pesquisadores que ousam contestar ou sequer levantar dúvidas sobre qualquer afirmação proferida pela médium. Dois produtores da TV Globo sentiram na pele — e nas redes sociais — a perseguição fanática dos seguidores raivosos da médium. Pesquisadores que se insurgiram contra Maira também amargaram uma enxurrada de ataques e processos na Justiça.
Investigação
Enquanto a tropa de choque virtual tenta conter os danos à imagem da médium na internet, o cerco policial e institucional se fecha no plano físico. O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) confirmou a instauração de uma Notícia de Fato após a Ouvidoria do órgão receber uma série de denúncias formais contra Maíra Alexandrina (nome civil de Maira Rocha).
O caso está sob a análise de uma Promotoria de Justiça Criminal. Paralelamente, a PCDF conduz inquérito na 11ª Delegacia de Polícia (Núcleo Bandeirante). A apuração refere-se a fatos ocorridos em 2019, cujos registros formais foram formalizados no segundo semestre de 2025. A polícia busca mapear o alcance das condutas e a eventual responsabilização penal da religiosa.
Recortes do Google
Diversos ex-frequentadores do centro espírita de Águas Claras e especialistas do meio espiritualista afirmam categoricamente que a produção das cartas psicografadas de Maira Rocha é eivada de imprecisões, erros doutrinários e conceitos distorcidos compilados às pressas na internet.
A tática aproveita-se da vulnerabilidade de famílias em luto extremo. No auge do desespero, a carga emocional impede que a vítima perceba as inconsistências no momento da leitura. Contudo, após o choque inicial, a constatação da manipulação torna-se evidente.
Ex-membros que preferem o anonimato por medo de retaliações da milícia digital confirmam que dados pessoais, apelidos e fatos específicos contidos nos bilhetes são extraídos diretamente de perfis abertos no Instagram e no Facebook — incluindo o uso involuntário de informações falsas que a própria família havia publicado por engano nas redes.
A versão oficial: em seu site, a Casa de Caridade Inácio Daniel alega que o processo é gratuito e sem garantias, justificando que “o telefone só toca de lá para cá” e que o nome do falecido precisa ser deixado em um livro na recepção.
A realidade dos fatos: relatos colhidos apontam que a triagem do livro serve de ponto de partida para varreduras prévias nos rastros digitais das famílias.
Com as investigações do MPDFT e da Polícia Civil em andamento, as autoridades agora miram também na identificação dos perfis falsos e dos operadores da milícia digital que tentam blindar o esquema por meio da coação e do medo.
O que diz Maira Rocha
Ao contrário do que diz Maira aos seus seguidores, o Metrópoles tenta, desde 30/8 – quando foi ao ar a primeira reportagem – falar com ela por meio do canal oficial da Casa de Caridade Inácio Daniel, o único disponível no site. Após ignorar as tentativas de contato, apenas no sábado (5/9), às 10h26, Maira respondeu dizendo que “não deseja mater qualquer interlocução com o Metrópoles”.
Na sequência, escreveu: “A partir de agora, qualquer questão entre as partes será tratada exclusivamente na Justiça. As recentes publicações distorcem fatos, veiculam informações inverídicas e causaram graves danos à sua honra e imagem. As responsabilidades serão apuradas judicilamente”.










