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Estilista que fez carreira em Goiânia e tem metade dos dedos tenta se reeguer após ‘cancelamento’ nas redes sociais: ‘perdi tudo’

Estilista que fez carreira em Goiânia e tem metade dos dedos tenta se reeguer após ‘cancelamento’ nas redes sociais: ‘perdi tudo’

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Durante 12 anos, Juliana Pereira dos Santos transformou tecidos em vestidos de noiva. Foram cerca de 2,3 mil peças produzidas no período, muitas delas para mulheres que sonhavam com o dia do casamento. Mas, depois de uma onda de ataques nas redes sociais, a estilista diz que viu o trabalho, a renda e parte da própria vida desmoronarem.

“Perdi tudo: minha empresa, dinheiro”, conta.

Juliana tem uma deficiência nas mãos, com metade dos dedos, e começou a carreira em Goiânia. Ela se mudou de Belo Horizonte para Nova Crixás ao seis meses de vida. Cresceu e estudou no interior goiano. Aos quatro anos sofreu um acidente com uma vela que caiu no berço da irmã mais nova. Ao salvar a bebê, Juliana sofreu queimaduras nas mãos e pés.

A paixão por desenhar roupas e vestidos se consolidou na carreira de estilista de noivas. Mas a deficiência, segundo ela, motivou ataques ao seu trabalho. Os comentários preconceituosos começaram em outubro de 2024, após um desentendimento com uma seguidora e influenciadora sobre um vestido que supostamente não foi entregue.

A repercussão levou a cancelamentos de vestidos e a uma série de vídeos e comentários que, segundo a estilista, ultrapassaram a crítica profissional e se transformaram em ataques pessoais e capacitistas.

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“Existem vídeos de noivas que nunca reclamaram do meu trabalho. Mas as pessoas colocavam conteúdo delas para as pessoas criticarem o vestido, a noiva, dizer que ela estava horrorosa, que o vestido era horroroso. Não é uma crítica, é ódio”, afirma.

A estilista acompanha o caminhar lento de diversos processos na Justiça, movidos contra pessoas que, segundo ela, ultrapassaram a linha da crítica profissional e entraram no campo da difamação. Juliana também direciona o olhar para o possível lucro obtido com ataques capacitistas.

“Um perfil nas redes sociais pode ter lucrado até R$ 120 mil com visualizações, falando somente sobre a minha deficiência e o meu trabalho. Ele nunca veio falar comigo antes de publicar os vídeos na internet”, conta a estilista.

Juliana mantém uma página profissional com 2,2 milhões de seguidores, onde mostra os trabalhos recentes.

Do ateliê cheio ao silêncio

Em 2025, Juliana conseguiu produzir 70 vestidos. O número, que poderia representar uma boa temporada para muitos profissionais, foi muito menor do que o habitual no ateliê.

“Em 2025, fiz com muito custo 70 vestidos. O normal do ateliê, em um ano, era fazer entre 180 a 230 vestidos.”

A queda se aprofundou em 2026. No primeiro semestre, foram apenas cinco vestidos produzidos.

O impacto não ficou restrito ao trabalho. Juliana afirma que precisou interromper as atividades por cinco meses para cuidar da saúde mental.

“É surreal suportar esse nível de ódio.”

Ela voltou ao trabalho no segundo semestre e tem 13 noivas previstas para casar. Ainda assim, a retomada acontece em meio às marcas deixadas pela crise.

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Cliente cancela pedido de vestido de noiva com a estilista Juliana Santos após repercussão de ataques na internet (Foto: Arquivo pessoal)

Uma cliente decidiu cancelar o pedido de um vestido em razão da repercussão que os ataques têm na internet.

“Vou precisar cancelar meu contrato. Sinto muito por isso, mas não estou bem. Tenho tentado evitar ao máximo todas essas polêmicas, tento focar no que você fala, mas ultimamente não estou me sentindo em paz. A ansiedade chegou num nível que está me adoecendo e por isso tomei essa decisão”, escreveu a cliente em uma mensagem.

Uma vida longe dos filhos

Hoje, Juliana mora em São Paulo, em um quarto de aproximadamente 9 metros quadrados, segundo seu relato. Os filhos ficaram em Goiânia.

A distância, que já seria difícil em qualquer circunstância, se tornou ainda mais dolorosa depois da perda de renda e da necessidade de reorganizar a vida.

“Meus filhos foram em Goiânia. Não consigo vê-los com a frequência que eu queria.”

Entre os vestidos que deixaram de ser produzidos e os contratos cancelados, ela também perdeu momentos da convivência familiar. O trabalho, que durante anos ajudou a construir sua vida, passou a ser uma fonte de insegurança.

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Estilista Juliana Santos diz que sofre com onda de ataques nas redes sociais por causa de sua deficiência (Foto: Arquivo pessoal)

“Não é uma crítica, é ódio”

Juliana afirma que a repercussão foi alimentada por páginas e vídeos que expunham noivas e vestidos para que fossem atacados nas redes sociais.

A estilista também relata ter sido alvo de comentários relacionados à sua deficiência. No relatório entregue à polícia, ela descreve os ataques como uma campanha de ódio e afirma que houve ameaças, incitação à violência e exposição de sua imagem. 

Ela contesta as acusações feitas contra seu trabalho e afirma que parte do conteúdo divulgado distorceu situações e apresentou acusações sem provas. O caso é acompanhado por apurações e medidas judiciais, segundo o material apresentado pela estilista.

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