Sábado, 31 de outubro de 2026
Césio

‘Brilho da morte’: sobrevivente relembra como césio-137 mudou sua vida em Goiânia

‘Brilho da morte’: sobrevivente relembra como césio-137 mudou sua vida em Goiânia

Sobre o tema envolvendo ‘Brilho da morte’, além disso, em setembro de 1987, uma pequena cápsula com cristais azulados e brilhantes despertou a curiosidade de moradores de Goiânia. Dessa forma, encontrado em uma clínica abandonada por dois catadores de materiais recicláveis, o equipamento foi parar no ferro-velho de Devair Alves Ferreira. Com isso, fascinadas pelo brilho do material, dezenas de pessoas se aproximaram para observar e até levar pequenas amostras para casa, sem saber que manuseavam césio-137, o material responsável pelo maior acidente radiológico da história do Brasil.

Nesse sentido, quase quatro décadas depois, Odesson Alves Ferreira, irmão de Devair e um dos sobreviventes da tragédia, relembra como o acidente mudou sua vida. Portanto, em entrevista, ele contou sobre a contaminação de familiares, as mortes, o tratamento recebido e o forte preconceito que passou a enfrentar após o contato com a substância.

Na época, Odesson chegou a sugerir que o irmão descartasse a cápsula, mas Devair estava encantado com os cristais e cogitou transformá-los em uma pedra preciosa. A cápsula acabou sendo aberta e manipulada por familiares, amigos e vizinhos. Uma semana depois, dezenas de moradores começaram a apresentar sintomas de uma doença desconhecida até então, o que levou Maria Gabriela Ferreira, esposa de Devair, a levar o equipamento à Vigilância Sanitária.

Contexto e detalhes sobre ‘Brilho da morte’

As medições de radiação realizadas por um físico confirmaram os níveis alarmantes do material. Ao saber da notícia, Odesson lembrou-se do desastre nuclear de Chernobyl e temeu o pior para sua família, que já havia tido dezenas de integrantes expostos à radiação.

Uma das primeiras vítimas fatais foi Leide das Neves Ferreira, sobrinha de Odesson, que tinha apenas seis anos e ingeriu alimentos após manusear um fragmento de césio-137. Ela e a tia, Maria Gabriela, morreram cerca de um mês após a exposição, além de dois jovens que trabalhavam no ferro-velho. Devair Alves Ferreira faleceu em 1994, e Ivo Ferreira, pai de Leide, morreu em 2003.

Após o acidente, mais de 100 mil moradores de Goiânia foram convocados para exames e procedimentos de descontaminação no Estádio Olímpico. Mesmo após ser liberado, Odesson enfrentou profunda discriminação social. Relatos de copos jogados no lixo em estabelecimentos comerciais, passageiros descendo de ônibus ao reconhecerem sua esposa e abaixo-assinados na vizinhança marcaram o cotidiano dos sobreviventes.

Para combater o estigma e buscar justiça, Odesson deixou a profissão de motorista de ônibus e passou a atuar na defesa dos direitos das vítimas, chegando a presidir a Associação das Vítimas do Césio-137. Hoje, aos 70 anos, ele vive em paz em uma pequena fazenda, escrevendo suas memórias e lutando para que tragédias semelhantes nunca mais se repitam.

Para mais detalhes e apuração completa, consulte a fonte da notícia.

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Redação Foco Goiás