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A Saúde da capital orienta ações preventivas contra o inseto. Foto: SMS
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A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Goiânia emitiu um alerta oficial à população diante do avanço significativo nas notificações do inseto barbeiro (triatomíneo), transmissor do protozoário Trypanosoma cruzi, causador da doença de Chagas. Dados da Diretoria de Vigilância em Zoonoses revelam que, entre janeiro e setembro de 2026, foram identificados 29 barbeiros na capital goiana, o que representa um aumento superior a 100% em relação ao mesmo período de 2025.
O número acumulado nos primeiros nove meses de 2026 já ultrapassa todo o volume computado ao longo de 2025, ano em que foram localizados 20 insetos no município.
A atenção sanitária aumentou após a confirmação, em abril deste ano, do primeiro barbeiro com infecção natural por T. cruzi em Goiânia, atestado pelo Laboratório Estadual de Saúde Pública Dr. Giovanni Cysneiros (Lacen-GO). A localização de um inseto infectado não significa que os moradores do local tenham contraído a doença, mas exige vigilância epidemiológica redobrada.
De acordo com o médico veterinário da Vigilância em Zoonoses, Bruno Sérgio, o deslocamento dos insetos para a cidade decorre diretamente de intervenções humanas e desequilíbrios ecológicos. “A expansão urbana pode provocar desmatamento, derrubar árvores que servem de abrigo e reduzir as fontes de alimentação desses insetos. As alterações climáticas também podem influenciar a dispersão e a distribuição desses vetores”, elucidou.
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Sintomas e diagnóstico
A transmissão vetorial da doença se dá primariamente pelo contato das fezes do barbeiro com a pele escoriada ou mucosas (como olhos e boca), podendo ocorrer ainda pela ingestão de alimentos contaminados ou via congênita.
Em termos de registros em humanos, Goiânia contabilizou 362 notificações de doença de Chagas crônica em 2026, contra 255 casos em 2025. No ano passado, foram confirmadas seis mortes pela doença de Chagas e três em 2026.
A gerente de Vigilância de Doenças e Agravos Transmissíveis da SMS, Jennifer Caetano, destaca que a alta nos registros não indica transmissão recente na capital.“A doença de Chagas pode se apresentar nas formas aguda e crônica. Na fase crônica, muitas vezes a infecção ocorreu há muitos anos e só é descoberta posteriormente. Temos, por exemplo, pessoas que viveram em áreas rurais ou regiões onde havia maior risco de transmissão e que hoje residem em Goiânia. Por isso, o fato de o caso ser diagnosticado e notificado na capital não significa necessariamente que a infecção tenha ocorrido aqui”, explicou.
Enquanto a fase aguda da infecção pode provocar febre prolongada, dor de cabeça, mal-estar e inchaço, ou passar despercebida, a fase crônica pode desencadear graves complicações cardíacas e digestivas. No cenário materno-infantil, contudo, o município recebeu o selo bronze do Ministério da Saúde durante a 18ª Expoepi pelo monitoramento e erradicação da transmissão vertical, sem registrar nenhum caso dessa modalidade desde 2012.
O que fazer ao encontrar o barbeiro
A administração municipal ressalta que o engajamento dos cidadãos é fundamental para conter a proliferação do vetor. Ao localizar um exemplar suspeito, as orientações de segurança determinam:
- Não esmagar nem matar o inseto.
- Proteger as mãos com saco plástico ou material isolante para evitar qualquer contato direto com o animal.
- Acondicionar o inseto vivo em recipiente fechado com tampa.
- Acionar a Diretoria de Vigilância em Zoonoses pelo telefone (62) 99152-2545, canal que realiza a coleta domiciliar, a identificação da espécie, a busca ativa no perímetro e os testes laboratoriais para checagem do T. cruzi.
- Em casos de suspeita de picada ou contato direto com o vetor, os moradores devem entrar em contato com a Diretoria de Vigilância Epidemiológica pelo número 3030-2534.
Medidas preventivas no ambiente domiciliar
Para evitar que quintais e casas atraiam o triatomíneo, a SMS orienta:
- Limpeza periódica de quintais e terrenos, eliminando entulhos, estoques de madeira, telhas e folhagens que sirvam de esconderijo.
- Afastamento de criações de animais, mantendo galinheiros e currais distantes das residências.
- Instalação de telas protetoras em janelas, vedação de frestas em portas e o hábito de manter janelas fechadas durante o período noturno.
- Uso de mosquiteiros e repelentes como barreira física e individual, lembrando que inseticidas químicos só devem ser empregados sob estrita recomendação técnica dos serviços de vigilância.



