Sobre o tema envolvendo Vantagens de Morrer, além disso, O diretor Diego Freitas já tem uma carta de apresentação e tanto quando o assunto são histórias para fazer o público se emocionar. Dessa forma, O cineasta nascido em Mairiporã (SP) se viu diante de um hit quando estreou em 2022 o romance Depois do Universo, na Netflix, com a história de uma jovem pianista à espera de um transplante de rim.
Com isso, três anos mais tarde, ele repetiu o feito com Caramelo, sobre a amizade entre um rapaz diagnosticado com câncer e sua improvável amizade com um cãozinho que decide ser adotado por ele. Nesse sentido, agora, leva a assinatura para as telonas com As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você.
Inspirado no livro de mesmo nome da autora Fernanda de Castro Lima (grupo editorial Record), o filme acompanha duas amigas inseparáveis, vividas por Any Gabrielly e Giulia Be (que já havia trabalhado com Freitas em Depois do Universo), que não se desgrudam apesar de terem personalidades diametralmente opostas. Portanto, enquanto Julia (Giulia) é desprendida, corajosa e intempestiva, Gabi (Any) calcula cada movimento e pensa dez vezes antes de sair de sua zona de conforto.
Contexto e detalhes sobre Vantagens de Morrer
Com essa dinâmica, Freitas encontra um ritmo perfeito para uma história que pega emprestado de filmes infanto-juvenis americanos, aos moldes de A Culpa é das Estrelas e As Vantagens de Ser Invisível, os elementos de lição de moral e frases de inspiração que fazem o público derrubar lágrimas. Na trama, a amizade de Julia e Gabi é interrompida quando a primeira morre de maneira repentina após um acidente de carro.
Consumida pela culpa — tanto por não ter conseguido convencer a amiga a não entrar no carro quanto por não ter ido com ela, Gabi se fecha novamente em seu casulo do luto, até descobrir que Julia deixou para ela dez cartas, com dez missões que ela deve cumprir para ser capaz de seguir em frente.
Resoluta para cumprir os desejos da amiga, Gabi encontra forças quando uma nova aluna, Lorena (Pâmela Germano), entra em sua turma e passa a incentivá-la. A partir disso, a trama vai se desdobrando em diversos encontros inesperados que trazem à tona assuntos delicados, como a passagem do luto e o peso da culpa, de maneira gentil e simplificada para públicos mais jovens.
Principais pontos e impactos da decisão
Incomoda, é claro, o fato de uma das personagens funcionar apenas como um token para que a outra seja capaz de encontrar seu lugar no mundo. É um tanto irreal pensar que Julia, internada na UTI e à beira da morte, iria dedicar tanto de seu breve tempo pensando apenas na amiga, e não nos pais, familiares e em si própria. O artifício nos faz recordar as histórias de superação de John Green, autor-sensação nos anos 2010, em cujos livros alguém invariavelmente precisa morrer para que os outros personagens fiquem melhor.
Para o bem ou para o mal, é uma fórmula que costuma funcionar e cumprir bien o seu papel. O longa chegou aos cinemas em 800 salas, sendo a principal estreia do Festival do Cinema Brasileiro.
Para o diretor, é mais uma figurinha que sedimenta seu espaço dentro deste subgênero de falar para o público jovem. “Houve uma generosidade da Fernanda, que é autora, de me deixar adaptar da minha maneira”, contou Freitas em entrevista coletiva, sobre o processo de transformar o livro em filme. “Então, eu trouxe muito das minhas vivências, do que eu nunca falei na terapia. Uma maneira de a gente se conectar com o jovem é se abrir, ser honesto. Você não achar que ele é um idiota, um bobo.”
“Essa foi a premissa: fazer um filme que tenha profundidade, que fale sobre temas que estão no nosso dia-a-dia. O luto, para alguém jovem, que pode não ter experienciado ainda essa emoção, muda a vida mesmo”, afirmou Diego Freitas.
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