Quarta-feira, 14 de outubro de 2026
Bar Bahia

Pesquisa investiga bares, cabarés e bordéis onde operários que construíram Goiânia se divertiam

Pesquisa investiga bares, cabarés e bordéis onde operários que construíram Goiânia se divertiam

Além disso, antes de se tornar a capital dos prédios altos, das grandes avenidas e dos bairros movimentados, Goiânia já tinha bares, casas de dança, jogos de cartas, cabarés e bordéis. Dessa forma, na cidade que ainda estava sendo construída, trabalhadores se reuniam para beber, conversar e se divertir, enquanto algumas discussões acabavam em delegacias e tribunais. Uma dívida de apenas cinco cruzeiros por uma cerveja, por exemplo, provocou uma agressão no Centro em 1955.

Com isso, dois anos antes, um esbarrão dentro de um bar de Campinas terminou em homicídio. Nesse sentido, esses episódios foram recuperados em uma pesquisa de doutorado da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), que revela uma Goiânia muito diferente daquela retratada nas fotografias oficiais de sua fundação.

O estudo é do historiador Matheus Nascimento Germano, autor da tese Notas sobre a formação de Goiânia: uma história da vida cotidiana nas primeiras décadas da capital goiana (1930-1955). Defendido em 2019, o trabalho analisou processos criminais, jornais, documentos públicos e entrevistas históricas para investigar como viviam os moradores durante a construção e a consolidação da nova capital.

Contexto e detalhes sobre cabarés e bordéis

A investigação identificou bares conhecidos como Bahia, Brasserie, Goiás, Ipiranga, Marabá, Araguaia, Novo Horizonte e Pão Duro. Também encontrou registros do Mercadinho Botafogo, que funcionava como comércio de produtos e bebidas, além de estabelecimentos ligados à prostituição, como o Bordel Maria Branca e a Boate Bambu.

Os documentos mostram que a história da capital não se resume aos edifícios em art déco, aos projetos urbanísticos e às decisões políticas. Os primeiros moradores também construíram relações sociais em estabelecimentos comerciais, casas de diversão, bairros populares e espaços que raramente aparecem nos registros comemorativos de Goiânia.

Ao examinar 13 processos criminais envolvendo brigas e furtos em bares, o historiador identificou estabelecimentos distribuídos por três regiões de Goiânia. No Centro estavam Bahia, Brasserie, Goiás, Ipiranga e Marabá, enquanto Campinas reunia Araguaia, Novo Horizonte e Bar do Pão Duro.

Principais pontos e impactos da decisão

Os processos criminais também permitiram recuperar os preços de algumas bebidas vendidas nos anos 1940 e 1950. Em 1945, uma cerveja sem refrigeração custava 10 cruzeiros no Mercadinho Botafogo, enquanto uma dose de pinga saía por cinco cruzeiros. No Bar Bahia, no Centro, uma cerveja gelada podia custar 15 cruzeiros.

Em 30 de junho de 1955, uma discussão por causa de uma dívida de cinco cruzeiros em uma cerveja no Bar Bahia, na Rua 7, terminou em agressão física após o proprietário exigir o chapéu do cliente como garantia de pagamento. Outra ocorrência registrada aconteceu em 3 de junho de 1953, no Bar do Pão Duro, onde um esbarrão entre frequentadores gerou uma discussão que resultou em homicídio.

A pesquisa também detalhou a presença de estabelecimentos ligados à prostituição, como o Bordel Maria Branca, administrado por Maria de Freitas Guimarães na Avenida Marechal Floriano, em Campinas, e a Boate Bambu. Os registros ajudam a resgatar a história de mulheres pobres e migrantes que atuavam no comércio sexual em condições de vulnerabilidade.

Para mais detalhes e apuração completa, consulte a fonte da notícia.

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Redação Foco Goiás