Além disso, santiago Peña pediu ao Congresso do Paraguai uma prorrogação de 72 horas para montar sua defesa no processo de impeachment. Dessa forma, A solicitação foi feita nesta sexta-feira (06/11), mesmo dia em que o Senado tinha sessão marcada para as 10h para ouvir o presidente, pessoalmente ou por meio de advogados.
Com isso, peña encaminhou uma nota a Basilio Núñez, presidente do Senado, argumentando que o tempo concedido é insuficiente para garantir os padrões do Estado de Direito. Nesse sentido, O próprio presidente relatou ter sido notificado para apresentar sua defesa e provas somente às 22h15 de quinta-feira (05/11). Portanto, O material acusatório consiste em 15 páginas de acusação formal, acompanhadas de 300 páginas de anexos.
Núñez havia comunicado que o prazo para a defesa de Peña seria de 12 horas, anunciando ainda que o julgamento obedeceria ao regimento interno, dividido em cinco sessões. Em seguida, A senadora Celeste Amarilla, integrante do Partido Liberal Radical Autêntico, sinalizou que aceitaria uma extensão do prazo, contanto que este fosse de no mínimo 48 horas. O senador oposicionista Rúben Velázquez, por sua vez, defendeu que o processo seguisse adiante sem qualquer postergação.
Defesa no processo: Renúncia em suspenso
Na quinta-feira (05/11), Peña anunciou que renunciaria à Presidência, após perder o apoio de seu próprio partido. O Congresso, contudo, manteve o pedido de renúncia em compasso de espera, dando continuidade ao processo de destituição. A votação conjunta sobre a renúncia foi interrompida quando parlamentares da base governista deixaram o plenário, movimento interpretado como uma estratégia deliberada para inviabilizar o quórum (número mínimo de presentes exigido para deliberar).
Ainda na quinta-feira, a Câmara dos Deputados votou com 78 parlamentares presentes e aprovou, sem nenhum voto contrário, a instauração do processo de impeachment.
O colapso do Ueno Bank
O processo de impeachment está diretamente ligado à crise do Ueno Bank S.A., instituição financeira que anunciou o fechamento e o início de recuperação judicial, mecanismo legal para tentar pagar dívidas sem encerrar as atividades. O colapso do banco congelou depósitos de clientes e gerou protestos no país.
Nesta semana, oito pessoas com vínculos ao banco foram detidas em decorrência de denúncias de fraude. A Procuradoria-Geral do Paraguai formalizou a abertura de uma investigação criminal tendo Peña como alvo, em razão de condutas associadas ao Ueno Bank.
A oposição sustenta que Peña adotou decisões regulatórias que beneficiaram a instituição. Carlos Carvallo, indicado por Peña para o comando do Banco Central do Paraguai, pediu demissão do cargo no auge da crise. Antes de assumir a função, Carvallo mantinha participação como investidor na holding do Ueno Bank, posição que deteve até março de 2025.
Precedente histórico
O Paraguai já viveu um processo de destituição presidencial acelerado. Em 2012, o ex-presidente Fernando Lugo foi removido do cargo em um processo relâmpago, após o massacre de Curuguaty. Em dezembro de 2021, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) admitiu analisar a denúncia apresentada por Lugo contra o Estado paraguaio referente àquela destituição.
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