Além disso, O Ministério Público do Paraguai apresentou, neste sábado (07/11), uma denúncia formal contra o ex-presidente Santiago Peña e pediu sua prisão preventiva. Dessa forma, O ex-mandatário é investigado por suspeitas de corrupção e irregularidades envolvendo o Ueno Bank, instituição financeira que entrou em crise e foi alvo de intervenção do Banco Central do Paraguai.
Com isso, peña está detido desde a noite de sexta-feira (06/11), quando foi destituído da Presidência pelo Senado paraguaio. Nesse sentido, inicialmente, a Justiça determinou que ele cumprisse prisão domiciliar, mas o ex-presidente foi transferido posteriormente para uma unidade militar, por razões de segurança. Vale ressaltar que os aspectos relacionados a Santiago Peña continuam sendo acompanhados com atenção.
Portanto, neste sábado, Peña compareceu ao Ministério Público para prestar depoimento, mas optou por permanecer em silêncio. Em seguida, após a oitiva, os promotores Elena Fiore, Christian Benítez, Silvia González Véster e Ruth Benítez formalizaram a acusação e encaminharam o pedido de prisão preventiva ao tribunal criminal de primeira instância. Esse ponto reforça a repercussão gerada em torno de Santiago Peña nos últimos dias.
De acordo com as apurações, O Ministério Público também pediu a prisão preventiva de Carlos Dagoberto Carvallo Spalding, ex-presidente do Banco Central do Paraguai (BCP), e a indisponibilidade dos bens dos dois investigados. Por outro lado, A medida impede a venda, doação ou transferência do patrimônio.
Entre os crimes atribuídos aos investigados estão abuso de confiança, administração em benefício próprio e produção de documentos públicos com conteúdo falso.
Entenda as acusações contra Santiago Peña
As investigações estão relacionadas à crise do Ueno Bank, instituição financeira que sofreu intervenção do Banco Central paraguaio na segunda-feira (02/11), após a autoridade monetária identificar que o banco não cumpria os requisitos mínimos de solvência.
A instituição administrava aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos. O caso levantou suspeitas sobre a concentração de dinheiro público e de fundos previdenciários no banco, além de possíveis operações de crédito irregulares.
Peña já foi acionista da Ueno Holding, empresa que tinha o Grupo Vázquez entre seus sócios. O conglomerado, por sua vez, era o principal acionista do Ueno Bank. O ex-presidente deixou a holding em março de 2025.
A relação empresarial de Peña com o grupo financeiro está no centro das acusações de conflito de interesses. Parlamentares da oposição também questionam o possível uso indevido de recursos públicos e previdenciários para favorecer a instituição.
Outro ponto da investigação envolve a suspeita de que Peña tenha recebido US$ 200 mil em dinheiro vivo na residência presidencial. O suposto pagamento é apontado pelo Ministério Público como parte do esquema investigado.
Outros envolvidos no caso
Além de Peña e Carvallo Spalding, o Ministério Público investiga dirigentes e ex-dirigentes do Ueno Bank. Inicialmente, oito executivos da instituição foram acusados de diferentes crimes, entre eles má conduta em situações de crise, quebra de confiança, tentativa de fraude e violação do dever de manter livros comerciais.
A Justiça determinou que os executivos homens cumpram prisão preventiva no Centro Nacional de Detenção, em Assunção. As mulheres foram colocadas em prisão domiciliar, com monitoramento por tornozeleira eletrônica.
Impeachment e destituição de Peña
A denúncia formal apresentada neste sábado ocorreu um dia depois da destituição de Santiago Peña pelo Senado paraguaio. O impeachment foi aprovado por 44 votos favoráveis, nenhum contrário e uma ausência, em meio à crise política provocada pelas suspeitas envolvendo o Ueno Bank.
Antes da votação, Peña apresentou um pedido de renúncia para tentar deixar o cargo. A análise, porém, foi suspensa por falta de quórum. Eram necessários 41 parlamentares presentes, mas apenas 40 estavam no plenário após a saída de integrantes da base governista.
A renúncia poderia permitir que Peña assumisse a condição de senador vitalício, prerrogativa constitucional concedida a ex-presidentes paraguaios. Com isso, ele teria imunidade parlamentar, o que poderia dificultar a responsabilização judicial.
Como a renúncia não foi analisada, o processo de impeachment prosseguiu e terminou com a destituição do então presidente.
Após a saída de Peña, o vice-presidente Pedro Alliana assumiu oficialmente a Presidência do Paraguai.
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