Quinta-feira, 15 de outubro de 2026
Cidades

Médicos denunciam cortes de até 20% nos pagamentos e redução de equipes em Rio Verde

Médicos denunciam cortes de até 20% nos pagamentos e redução de equipes em Rio Verde

Além disso, médicos que atendem na rede pública de Rio Verde, no Sudoeste de Goiás, denunciam cortes nos pagamentos e redução de equipes em unidades de saúde do município. Dessa forma, segundo os relatos, as mudanças foram comunicadas nesta semana, sem negociação prévia, e podem atingir até pagamentos de plantões já realizados.

Com isso, uma médica que pediu para não ser identificada afirmou que recebeu o aviso por WhatsApp. “Avisaram ontem [13 de outubro] e vai vir descontado no próximo recebimento. Nesse sentido, corte geral na saúde do município. Portanto, salário dos médicos, escalas médicas em hospital e UPA, demissão em massa da equipe multidisciplinar. Em seguida, tudo avisado pelo WhatsApp sem documento nenhum”, relatou. Vale ressaltar que os aspectos relacionados a Rio Verde continuam sendo acompanhados com atenção.

De acordo com as apurações, de acordo com os profissionais, a redução nos valores pagos seria de 20% no novo Hospital Municipal Universitário e de 17% no Hospital Materno Infantil. Por outro lado, nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), também teriam ocorrido mudanças nos valores dos plantões, mas os percentuais não foram informados. Vale destacar que em uma carta de repúdio, médicos afirmam que a redução de 17% poderá incidir inclusive sobre plantões já realizados.

Contexto e detalhes sobre Rio Verde

Sendo assim, os relatos também apontam mudanças nas escalas médicas: uma UPA teria perdido o atendimento de pediatria, enquanto o Hospital Materno Infantil teria ficado sem a escala de radiologia. Além disso, há ainda denúncias de demissões de técnicos de enfermagem e enfermeiros em Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Dessa forma, não foram informados quantos profissionais teriam sido desligados nem quais unidades foram afetadas ainda.

Com isso, na carta, os médicos dizem que os valores haviam sido previamente acordados e classificam a redução como “injusta, desrespeitosa e juridicamente questionável”. Nesse sentido, os profissionais também contestam a forma como foram comunicados e afirmam que não receberam documentos que justificassem as mudanças.

A categoria acionou o Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (Simego), que, segundo os relatos, analisa o caso com sua equipe jurídica. O Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego) também teria sido comunicado por intermédio do sindicato.

O Simego disse ao Mais Goiás que o caso foi repassado para a diretoria regional do sindicato, e que o próximo passo será avaliado conjuntamente com a categoria. A Prefeitura ainda precisa esclarecer os motivos e o alcance das medidas, segundo os médicos.

Os médicos temem que a retirada de escalas e a redução das equipes afetem o atendimento à população, especialmente em serviços de urgência e emergência. Ainda não há informações sobre como a Prefeitura pretende reorganizar os atendimentos de pediatria e radiologia ou garantir a cobertura nas unidades atingidas.

Segundo a médica que não quis revelar o nome, o serviço funciona por terceirização: uma pessoa jurídica matriz recebe recursos do fundo de saúde e contrata outras pessoas jurídicas que repassam valores para os médicos. A profissional diz que a pessoa jurídica monopoliza as contratações em Rio Verde. Como a prestação de serviços não é por meio da CLT, existem muitas brechas, segundo a médica.

Como funciona o pagamento?

Ela disse que somente no Hospital Materno Infantil do município a direção se reuniu com os médicos para avisar as mudanças. As demais unidades foram avisadas por meio de mensagens.

“A gente só quer reivindicar nosso salário. Não queremos mudar a estrutura de gestão. Só queremos levar à frente esse corte feito de forma abrupta, sem aviso prévio. Recebemos até ameaças nos grupos dos médicos de demissão, que quem não quiser continuar, pode sair porque há demanda. E a gente sabe que tem. Os médicos antigos saem e os novos vêm dispostos a trabalhar em um plantão mais desvalorizado”, desabafou a profissional.

A realidade dos pagamentos, atualmente, segundo a médica é a seguinte:

  • O Hospital Municipal Universitário paga R$ 980 por plantão. Com a redução de 20%, vai para R$ 784, em setores como Enfermaria e pronto atendimento
  • Na UTI Adulto, o valor pago é de R$ 1.200 e vai cair para R$ 960
  • No pronto-socorro de pediatria, o médico ganhava R$ 1.066, e com o corte de 17%, o valor caiu para R$ 884,78

Esses valores, segundo a médica, são para clínicos. Médicos com especialidades recebem outro valor, mas que também foram atingidos, como anestesistas e cardiologistas.

Carta de apelo e repúdio

“Nós, médicos que prestamos serviços ao município de Rio Verde, manifestamos nossa profunda indignação, tristeza e repúdio diante da decisão de reduzir em 17% nossa remuneração, comunicada de forma inesperada essa semana e com previsão de aplicação inclusive sobre plantões já realizados.

Consideramos essa medida extremamente injusta, desrespeitosa e juridicamente questionável, uma vez que altera valores previamente acordados, sem diálogo ou negociação com a categoria.

Somos nós que, diariamente, enfrentamos a superlotação, a falta de recursos, os plantões exaustivos e a enorme responsabilidade de cuidar de vidas. Mesmo diante do caos, não abandonamos nossos pacientes. Lutamos, tomamos decisões difíceis e salvamos vidas.

É profundamente decepcionante que profissionais que tanto se dedicam à saúde da população sejam surpreendidos com tamanha desvalorização. Não pedimos privilégios. Exigimos respeito, reconhecimento e o cumprimento dos acordos firmados.

Fazemos um apelo à gestão municipal para que reconsidere urgentemente essa decisão e respeite os profissionais que sustentam diariamente a assistência à saúde de Rio Verde. Desvalorizar quem salva vidas é desvalorizar a própria saúde da população.”

Corpo Médico Prestador de Serviços ao Município de Rio Verde – GO

Para mais detalhes e apuração completa, consulte a fonte da notícia.

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Redação Foco Goiás