Quinta-feira, 22 de outubro de 2026
Poder em Jogo

Kassio manda Meta apresentar em 24 horas relatório detalhado sobre ações do ‘Exército do Lula’

Kassio manda Meta apresentar em 24 horas relatório detalhado sobre ações do ‘Exército do Lula’

Além disso, O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, determinou nesta quinta-feira (22) que a Meta apresente, em até 24 horas, um relatório detalhado sobre as atividades do canal no WhatsApp “Exército do Lula”, administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG).

Dessa forma, entre as informações, o ministro pede que a empresa de tecnologia explique quais critérios usa para diferenciar “mobilização legítima” e “comportamento coordenado potencialmente irregular” e cobra uma análise dos padrões de engajamento e distribuição dos conteúdos do grupo. Vale ressaltar que os aspectos relacionados a relatório detalhado continuam sendo acompanhados com atenção.

Com isso, A decisão foi tomada após pedido apresentado pela equipe jurídica do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário do presidente Lula (PT) no segundo turno das eleições, no próximo domingo (25). Esse ponto reforça a repercussão gerada em torno de relatório detalhado nos últimos dias.

Contexto e detalhes sobre relatório detalhado

Nesse sentido, especialistas ouvidos pela Folha afirmam que a coordenação usada no canal Exército do Lula não fere as regras do TSE, nem o plano de conformidade apresentado pela Meta.

Portanto, para Pablo Ortellado, professor de políticas públicas da USP (Universidade de São Paulo), “coordenar seguidores para buscar um termo ou subir uma hashtag é expressamente permitido pela resolução do TSE e a petição [da campanha de Flávio Bolsonaro] não aponta uso de contas falsas”.

“Se houvesse ilicitude, ela teria de estar no conteúdo ou no impulsionamento. Em seguida, no conteúdo, parte dos termos repete associações a crime que o TSE já mandou remover, mas outra parte é crítica política e a petição trata tudo como uma mesma coisa.”

Principais pontos e impactos da decisão

Quanto ao que se relaciona a dinheiro, ele diz que a petição aponta “um anúncio anônimo, mas não mostra a ligação do anúncio com a campanha”.

Na visão de Francisco Brito Cruz, sócio e diretor da consultoria Input, é preciso distinguir coordenação de inautenticidade.

“A coordenação é parte absolutamente normal de uma campanha eleitoral: pessoas se organizam para divulgar mensagens, promover hashtags e mobilizar apoiadores. A inautenticidade aparece quando há elementos de fraude ou dissimulação, como contas falsas e identidades fraudulentas usadas para enganar o público sobre quem está por trás de uma operação”.

Para ele, pelos fatos apresentados na petição, não há demonstração desses elementos. “A mobilização é pública e seu organizador é conhecido”, afirma.

O parágrafo 6º-A do artigo 28 da resolução do TSE que trata sobre propaganda eleitoral admite campanhas organizadas para ampliar o alcance orgânico de mensagens políticas, inclusive com compartilhamentos simultâneos e hashtags.

Já a portaria do TSE com regras sobre os planos de conformidade das plataformas, determina que elas distingam expressamente a coordenação legítima das redes inautênticas.

“Portanto, não é possível transformar toda mobilização coordenada em comportamento ilícito. Seria inverter a lógica da regulamentação eleitoral”, diz Cruz.

“Convocar apoiadores para pesquisar alguma coisa no Google ou publicar uma hashtag no X não significa, por si só, manipular ilegalmente um algoritmo. São funcionalidades ordinárias dessas plataformas, que existem justamente para permitir que pessoas busquem informações e participem de conversas públicas.O próprio X incentiva a participação nos assuntos do momento. Aumentar a visibilidade de uma mensagem por meio da mobilização de pessoas reais não é, por si só, uma infração eleitoral.”

Procurada, a Meta não respondeu a questionamento da Folha até a publicação desta reportagem.

Para mais detalhes e apuração completa, consulte a fonte da notícia.

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Redação Foco Goiás