Além disso, O Paraguai se tornou um dos destinos mais mencionados por apoiadores de Jair Bolsonaro que defendem deixar o Brasil. Nas redes sociais, o país vizinho é apresentado como alternativa para quem deseja pagar menos impostos, abrir uma empresa ou viver sob um governo de direita. Dessa forma, O interesse não se limita às publicações na internet: em 2025, o Paraguai concedeu 23,5 mil autorizações de residência a brasileiros, segundo dados oficiais. Com isso, O número corresponde a 58% das autorizações emitidas a estrangeiros naquele ano.
Nesse sentido, A procura ganhou novo impulso após a reeleição do presidente Lula (PT), em outubro. Portanto, segundo dados do Google Trends divulgados pela imprensa, as buscas pela expressão “como morar no Paraguai” cresceram 1.700% nas horas seguintes ao resultado eleitoral. Vale ressaltar que os aspectos relacionados a deixar o Brasil continuam sendo acompanhados com atenção.
Em seguida, O governo paraguaio realiza nesta semana um mutirão de atendimento a estrangeiros em Ciudad del Este, na fronteira com Foz do Iguaçu (PR). O serviço, chamado MigraMóvil, recebe pedidos de residência temporária e permanente, além de solicitações de renovação de documentos. Esse ponto reforça a repercussão gerada em torno de deixar o Brasil nos últimos dias.
A movimentação, porém, começou antes da eleição brasileira. De acordo com as apurações, em 2025, os pedidos de residência de estrangeiros no Paraguai cresceram 63% em relação ao ano anterior. Por outro lado, nos primeiros meses de 2026, o país já registrava nova expansão da demanda. Especialistas destacam que novas atualizações sobre deixar o Brasil devem surgir em breve.
Deixar o Brasil: Impostos de 10% estão entre os principais atrativos
Vale destacar que A tributação é um dos argumentos mais frequentes de brasileiros que defendem a mudança. Sendo assim, O Paraguai adota um sistema conhecido como “10-10-10”, referência às alíquotas de 10% do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), do imposto sobre a renda empresarial e da alíquota máxima do imposto sobre a renda pessoal. Vale ressaltar que os aspectos relacionados a deixar o Brasil continuam sendo acompanhados com atenção.
O país também cobra imposto sobre dividendos, com alíquotas de 8% para residentes e 15% para não residentes. A carga tributária total paraguaia corresponde a aproximadamente 14,5% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto a brasileira fica acima de 30%. Os percentuais medem a arrecadação de impostos em relação ao tamanho de cada economia, e não quanto cada pessoa ou empresa paga individualmente.
Além das alíquotas, empresários brasileiros citam a disponibilidade de energia elétrica mais barata e os incentivos à instalação de fábricas. Um dos principais mecanismos é o regime de maquila, destinado a empresas que produzem bens ou prestam serviços para o mercado externo. A legislação paraguaia prevê tributação única de 1% sobre o valor agregado no país ou sobre o faturamento de exportação, prevalecendo a maior base de cálculo.
A regra não significa que qualquer empresa instalada no Paraguai pague apenas 1% de imposto. O benefício depende de enquadramento no regime e do cumprimento de requisitos legais.
Empresas brasileiras já transferiram parte da produção
A diferença tributária ajudou a atrair indústrias brasileiras, especialmente dos setores têxtil e de confecção. Empresas como Lupo e Riachuelo estão entre as marcas brasileiras com operações industriais no Paraguai.
Um levantamento divulgado em maio apontou que 232 empresas brasileiras haviam transferido atividades produtivas para o país vizinho. O número passou a circular nas redes sociais acompanhado de críticas à política econômica do governo Lula.
A agência de checagem AFP verificou, entretanto, que os registros abrangem o período de 2007 a março de 2026. Portanto, as transferências não ocorreram exclusivamente durante o atual governo brasileiro. Segundo a apuração, a maior concentração aconteceu entre 2017 e 2020.
Governo de direita também atrai brasileiros
Além das questões econômicas, a afinidade política aparece entre as motivações de brasileiros interessados na mudança. O Paraguai é governado desde 2023 por Santiago Peña, do Partido Colorado, legenda conservadora que ocupa a Presidência durante a maior parte do período democrático iniciado em 1989.
Em abril, uma reportagem da BBC News Brasil acompanhou brasileiros que aguardavam atendimento migratório em Ciudad del Este. Entre os entrevistados estavam empresários e profissionais que associavam a decisão de sair do Brasil à carga tributária e à insatisfação com o cenário político.
Um empresário do setor de metalurgia, por exemplo, afirmou que pretendia abrir uma filial no Paraguai, embora seu negócio continuasse funcionando no Brasil. Ele citou os impostos e a possibilidade de continuidade do governo Lula como razões para buscar uma alternativa.
O diretor nacional de Migrações do Paraguai, Jorge Kronawetter, contudo, evitou atribuir o aumento da procura exclusivamente ao resultado da eleição brasileira. Segundo ele, os interessados apresentam perfis diversos, incluindo empresários, estudantes e trabalhadores.
Paraguai oferece condições melhores de vida?
A diferença de impostos não se reproduz da mesma forma nos indicadores sociais e econômicos. Segundo dados do Banco Mundial referentes a 2025, o PIB per capita do Brasil foi de aproximadamente US$ 10,7 mil, enquanto o do Paraguai ficou em US$ 7 mil. O indicador representa a produção econômica dividida pelo número de habitantes, não a renda efetivamente recebida por cada pessoa.
O Paraguai, por outro lado, registrou crescimento econômico de 6,6% em 2025, diante de 2,3% no Brasil. Na expectativa de vida, os dados de 2024 apontam 76 anos no Brasil e 74 no Paraguai.
O mercado de trabalho também apresenta diferenças. Embora o desemprego paraguaio seja menor em estimativas internacionais, a informalidade é significativamente mais elevada. Dados citados pela BBC News Brasil em abril indicavam que 62,5% dos trabalhadores paraguaios estavam na informalidade, diante de 37,5% no Brasil. Isso significa que uma parcela maior dos trabalhadores do país vizinho não dispõe de vínculos formais de emprego.
Na segurança pública, a comparação apresenta outro resultado. Segundo o Banco Mundial, a taxa de homicídios intencionais em 2023 foi de sete mortes por 100 mil habitantes no Paraguai, contra 19 no Brasil. Os indicadores mostram diferenças importantes entre as duas economias, mas não permitem estabelecer, isoladamente, qual país oferece melhores condições para todos os perfis de moradores.
Redes sociais ajudam a impulsionar a mudança
Vídeos publicados por brasileiros que se instalaram no Paraguai apresentam preços de imóveis, custos de supermercado, oportunidades de negócios e procedimentos para conseguir residência. Parte desse conteúdo descreve o país como uma espécie de “nova Suíça” da América do Sul.
Em entrevista ao UOL, o sociólogo José Lindomar Coelho Albuquerque, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pesquisador de migrações na fronteira, afirmou que a expressão não corresponde à realidade paraguaia. Segundo ele, a migração brasileira para o Paraguai não é recente. O movimento ganhou força nas décadas de 1960, 1970 e 1980, principalmente com a chegada de agricultores brasileiros, que passaram a ser conhecidos como brasiguaios.
Atualmente, o pesquisador identifica novos perfis entre os interessados: estudantes de medicina, empresários atraídos pelos incentivos industriais e pessoas influenciadas por discursos de liberdade econômica. Albuquerque também chama a atenção para os riscos enfrentados por quem se muda sem conhecer o mercado de trabalho ou sem contar com uma rede de apoio.
A experiência pode ser diferente para quem mantém renda em reais ou dólares, trabalha remotamente ou possui capital para investir e para quem depende de encontrar emprego no mercado paraguaio.
Mais de 263 mil brasileiros vivem no Paraguai
Segundo estimativas do governo brasileiro, mais de 263 mil brasileiros residem no Paraguai. É a maior comunidade brasileira na América do Sul e a terceira maior no exterior, atrás das comunidades nos Estados Unidos e em Portugal.
A legislação do Mercosul facilita a solicitação de residência para cidadãos brasileiros, mediante apresentação de documentos e cumprimento dos procedimentos migratórios. O aumento dos pedidos de residência demonstra que o interesse pelo país vizinho ultrapassou as redes sociais. Os dados disponíveis, entretanto, não permitem determinar quantos brasileiros efetivamente se mudaram por razões políticas nem quantos permanecerão no Paraguai de forma definitiva.
Para mais detalhes e apuração completa, consulte a fonte da notícia.
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