O Paraguai vive uma das maiores crises financeiras de sua história recente. O colapso do Ueno Bank, um dos maiores bancos digitais do país com cerca de 3 milhões de clientes, deixou milhões de paraguaios sem acesso ao próprio dinheiro, derrubou a cúpula do Banco Central do Paraguai (BCP) e levou milhares de cidadãos às ruas nos últimos dias.
Na quarta-feira (04/11), a pressão popular em meio à crise levou parlamentares da opoisção a abrir um processo de impeachment contra o presidente paraguaio, Santiago Peña.
Entenda, a seguir, a origem da crise:
O que é o Ueno Bank e por que ele faliu
O Ueno Bank é uma instituição financeira digital de propriedade do Grupo Vázquez. O banco tinha cerca de 3 milhões de clientes e concentrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social do país.
O Ueno fechou suas portas na terça-feira (03/10) depois que o banco central do país iniciou um processo de liquidação da instituição. O motivo: um déficit nos índices de solvência, ou seja, o banco não tinha recursos suficientes para cobrir suas obrigações. O problema estava ligado a empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao próprio grupo.
Oito suspeitos de participação na crise tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça do Paraguai na quarta-feira (04/10). Entre os detidos figuram Juan Manuel Gustale, presidente do Ueno Bank, e Federico Miguel Vázquez, vice-presidente da instituição.
A Procuradoria emitiu mandados de prisão contra os executivos, que se entregaram às autoridades, e acusou formalmente 27 pessoas ligadas ao banco. A Justiça também ordenou o bloqueio de seus bens.
O que aconteceu com o dinheiro dos clientes
Recursos públicos e as economias de milhões de correntistas foram bloqueados pelo Banco Central paraquaio. Na quarta-feira (04/10), a autoridade monetária também suspendeu temporariamente os saques de determinados fundos de investimento atrelados ao Ueno Bank.
Para proteger os poupadores, o BCP anunciou um adiantamento dos valores garantidos pelo Fundo de Garantia de Depósitos, mecanismo equivalente ao FGC brasileiro, que assegura o dinheiro mantido em instituições financeiras. Cada cliente poderá receber até 40 salários mínimos, com desconto de eventuais dívidas junto ao Ueno Bank.
Crise política: renúncias e impeachment
A crise bancária rapidamente se tornou uma crise política. Na terça-feira (03/10), o diretor do Banco Central Carlos Cavallo renunciou ao cargo. Outros dois diretores da instituição também deixaram seus cargos.
O presidente Peña anunciou, nesta quarta-feira (04/10), duas mudanças no comando do BCP: o economista Raúl Vera Bogado foi escolhido para presidir o banco central, enquanto Pedro Acosta foi nomeado para compor o Diretório da instituição, conforme publicação feita na rede X.
Mas a pressão sobre Peña vai além das mudanças no banco central. Parlamentares da oposição deram continuidade, nesta quarta-feira (4), a um processo de impeachment contra o presidente.
Trinta e cinco deputados apresentaram na Câmara dos Deputados o documento de acusação e pediram ao presidente da Casa a convocação de uma sessão extraordinária nesta quinta-feira (05/10) para tratar do assunto.
A oposição acusa Peña de conflito de interesses: o presidente foi acionista até março do ano passado do grupo proprietário do banco. Os parlamentares também apontam manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional por parte do banco central.
Para dar início formal ao processo de impeachment, a Câmara dos Deputados precisa de maioria qualificada de dois terços dos votos. Ainda não está claro se a bancada governista apoiará a proposta.
*Com informações da Reuters
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