Caso Cezinha de Madureira: Apuração sobre desvio de emendas em SP está paralisada há um ano
Uma investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) acerca de desvios em emendas parlamentares na cidade de São Paulo encontra-se paralisada no Supremo Tribunal Federal (STF) desde agosto de 2025.
O deputado Cezinha de Madureira (PL-SP) é um dos principais acusados da investigação. Na última segunda-feira (14/09), a PF passou a investigá-lo também em uma operação sobre sobre tráfico de influência em tribunais superiores.
Desde agosto de 2025, nenhuma operação foi deflagrada e nenhum depoimento foi colhido, segundo apuração do jornal O Globo. Além do possível envolvimento do deputado, o caso abrange dezenas de vereadores, ex-vereadores, empresários e secretários municipais da capital.
O órgão apura “eventuais crimes de peculato, corrupção passiva, lavagem de recursos e de organização criminosa”. De acordo com o Gaeco, os responsáveis pelo esquema ficavam com entre 20% e 35% do montante de cada emenda transferida, “com um percentual do valor retornando para o parlamentar remetente, conforme a denúncia inicial de Holiday”. Cezinha de Madureira responde pela acusação de ter direcionado uma emenda de R$ 4 milhões à pasta municipal responsável pela cultura em São Paulo.
O caminho no STF
Os elementos de prova chegaram ao STF por intermédio da Procuradoria-Geral da República (PGR) em agosto de 2025. Em 18/08, o então presidente da Corte, ministro Edson Fachin, encerrou o pedido formulado pelo Gaeco sem sequer comunicar os promotores que conduziam a investigação.
Em 19/12 de 2025, o processo foi distribuído ao ministro Nunes Marques. Promotores paulistas encaminharam ao STF, em 05/03 de 2026, uma solicitação de informações sobre o andamento do caso, pedido que, conforme o Ministério Público de São Paulo, jamais obteve resposta.
O esquema investigado
A pasta municipal de cultura de São Paulo recebeu R$ 50,5 milhões em emendas parlamentares ao longo de 2020, “superando o montante recebido pela Secretaria da Saúde, de R$ 50,2 milhões no mesmo período”. Na capital, cada vereador conta com uma cota semestral de R$ 2,5 milhões para destinação de emendas.
Somente em 2025 a perícia do Gaeco conseguiu extrair dados dos aparelhos celulares de empresários investigados. Conforme o Ministério Público de São Paulo, a investigação é sustentada por áudios, mensagens e depoimentos.
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