Karl Bushby encerrou nesta segunda-feira (2/11) uma das maiores jornadas a pé já registradas. O britânico de 57 anos chegou a Hull, na Inglaterra, após 28 anos caminhando pelo mundo sem usar meios de transporte motorizados. A Expedição Golias somou mais de 58 mil km percorridos por quatro continentes.
O início de tudo
Bushby partiu de Punta Arenas, no Chile, em 01/11 de 1998, aos 29 anos. A intenção original era completar o percurso em 10 a 12 anos. Levou quase o triplo disso.
Antes de embarcar, ele serviu por 12 anos no 3º Batalhão do Regimento de Paraquedistas, onde traçou a rota no mapa pela primeira vez. Diagnosticado com dislexia severa aos 13 anos, Bushby não deixou que isso o impedisse de planejar e executar a expedição.
Recentemente, nas redes sociais, Karl relembrou o primeiro dia da caminhada histórica: “Foi um pouco avassalador. Um pouco emocionante. Você está entrando numa estrada de mais de 50.000 km. Primeiro, eu não tinha ideia de como isso ia funcionar. Eu não sabia de nada. Em segundo lugar, eu sabia que conseguiria, e você ficaria surpreso com o quanto um pouco de confiança pode te levar muito, muito longe” (Karl Bushby, redes sociais).
Prisão na Rússia e desvios de rota
Em março de 2006, um dos momentos mais marcantes da expedição teve lugar quando Bushby e o aventureiro francês Dimitri Kieffer cruzaram o Estreito de Bering (o trecho marítimo que divide o Alasca da Rússia) e foram detidos pelas autoridades russas por entrada ilegal no país. A libertação dos dois só ocorreu depois que John Prescott, que ocupava à época o cargo de vice-primeiro-ministro do Reino Unido, interveio no caso.
Durante o trajeto, Bushby também abriu mão de passar pelo Irã e pela Rússia, em razão das tensões geopolíticas que marcavam o período. Como alternativa, nadou pelo Mar Cáspio até alcançar o Azerbaijão e, a partir daí, seguiu seu caminho pela Turquia, cruzando posteriormente para o continente europeu.
Reencontros após décadas
A chegada a Hull trouxe um momento pessoal significativo: Bushby conheceu pessoalmente Harley, sua neta de 12 anos, em um encontro privado sem registro de imagens.
Em Hull, Karl ficou surpreso ao ser recebido como um herói e afirmou à imprensa local: “É incrível. Não, é verdadeiramente surpreendente. Quer dizer, olhe ao seu redor agora. É simplesmente inacreditável. Eu jamais poderia imaginar algo assim”.
“Foi incrível estar de volta ao Reino Unido e encerrar tudo isso foi simplesmente fenomenal. Você nunca faz essas coisas sozinho, a bondade das pessoas, a gentileza de estranhos, é o mundo que me trouxe até onde estou hoje”.



