Sobre o tema envolvendo prédios e avenidas, além disso, hoje, avenidas movimentadas, prédios comerciais e grandes corredores de trânsito fazem parte da paisagem de Goiânia. Mas nem sempre foi assim. Dessa forma, há pouco mais de 90 anos, a capital ainda começava a tomar forma, com ruas de terra, casas baixas e áreas verdes que depois daria lugar a construções e obras de infraestrutura. Com isso, alguns dos endereços mais conhecidos da cidade guardam histórias que ajudam a imaginar como era a vida dos primeiros goianienses.
Nesse sentido, do córrego que ajudou a viabilizar a construção da nova capital ao mercado público que funcionava onde hoje está um edifício comercial, diferentes lugares passaram por mudanças profundas. Portanto, fotografias antigas, documentos e pesquisas ajudam a recuperar parte dessa paisagem e a entender como Goiânia se transformou. Vale ressaltar que os aspectos relacionados a prédios e avenidas continuam sendo acompanhados com atenção.
Prédios e avenidas: Córrego Botafogo já foi parte da paisagem natural da capital
Em seguida, antes de ser acompanhado por pistas, pontes e concreto, o Córrego Botafogo tinha uma função importante na estruturação de Goiânia. De acordo com as apurações, durante os primeiros anos da cidade, o curso d’água chegou a abastecer a população e fazia parte de uma paisagem em que áreas verdes e recursos naturais eram considerados essenciais para o desenvolvimento urbano. Esse ponto reforça a repercussão gerada em torno de prédios e avenidas nos últimos dias.
O primeiro plano urbanístico da capital, elaborado pelo arquiteto e urbanista Attilio Corrêa Lima, previa uma faixa de vegetação de aproximadamente 50 metros de cada lado do córrego. A área serviria para proteger a água e preservar espaços verdes e de lazer.
Com o crescimento da cidade, porém, a relação com o curso d’água mudou. Em 1962, uma lei municipal autorizou a canalização do Botafogo em toda a extensão da zona urbana. As obras de retificação e canalização avançaram na década de 1970, alterando trechos do leito natural.
A transformação ganhou outra dimensão no início dos anos 1990, com a construção da Marginal Botafogo. O fundo de vale passou a dividir espaço com pistas expressas, pontes e estruturas de drenagem, e o córrego ficou menos visível para quem circula pela região.
O Botafogo, no entanto, continua recebendo água das nascentes e das chuvas. A paisagem mudou, mas o curso d’água segue fazendo parte da estrutura ambiental da capital.
Onde hoje está o Parthenon Center funcionava o Mercado Central
O quarteirão ocupado atualmente pelo Parthenon Center, no Setor Central, já teve outra função: abrigar o Mercado Central de Goiânia. Inaugurado em 1950, o mercado reunia bancas de alimentos, produtos do campo e pequenos comerciantes em uma época em que o Centro concentrava grande parte da vida comercial da capital.
O espaço oferecia carnes, frutas, verduras, cereais, queijos, temperos e outros produtos essenciais. Além de abastecer os moradores, aproximava produtores do interior, comerciantes e consumidores, funcionando como um importante ponto de encontro da cidade.
O destino do terreno começou a mudar em 1971, quando uma lei municipal autorizou a doação da área para a construção de um empreendimento. A legislação previa, entre outras exigências, a instalação de garagens ou estacionamentos.
O antigo mercado foi demolido em 1974, segundo registros associados à história do local. Em seu lugar surgiu o Parthenon Center, inaugurado em 1976, com salas comerciais e uma estrutura que incluía vários pavimentos de estacionamento.
A mudança acompanhou a transformação de Goiânia, que crescia e passava a demandar novos espaços para empresas, serviços e automóveis. O onde antes circulavam compradores entre bancas de alimentos, o novo edifício passou a reunir atividades comerciais e empresariais em uma estrutura vertical.
Rua 20 concentra vestígios dos primeiros anos de Goiânia
A Rua 20, no Setor Central, é apontada em pesquisas acadêmicas e publicações do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como a primeira rua construída da Goiânia planejada. Foi nessa região que surgiram algumas das primeiras casas da nova capital, na década de 1930.
A via integra o núcleo pioneiro da cidade, próximo à Praça Cívica e às avenidas Goiás, Araguaia e Tocantins. Nos primeiros anos, a região recebeu residências e edificações ligadas à instalação da estrutura administrativa do governo estadual.
Uma das construções históricas do endereço é o imóvel que hoje abriga a Casa da Memória da Universidade Federal de Goiás (UFG) e da Justiça Federal, no número 19. O prédio está associado ao período em que a administração estadual se instalava na nova capital, embora existam divergências em pesquisas sobre a identificação exata da antiga sede provisória do governo.
A paisagem da Rua 20 também mudou. Casas deram lugar a edifícios, estacionamentos e imóveis comerciais, e parte das construções dos primeiros anos desapareceu. Ainda assim, residências históricas e espaços de preservação ajudam a contar como era a Goiânia que começava a sair do papel.
É importante fazer uma distinção: a Rua 20 é considerada a primeira via construída como parte da cidade planejada, mas não é a rua mais antiga de todo o território que hoje forma Goiânia. Campinas, incorporada posteriormente à capital, já possuía ruas, casas e comércio muito antes de 1933.
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