Além disso, O Comitê de Política Monetária (Copom) decide nesta quarta-feira (04/10) se mantém ou reduz a taxa básica de juros, atualmente em 13,75% ao ano. Em meio à divisão do mercado financeiro sobre os próximos passos da política monetária, a expectativa majoritária é de uma pausa no ciclo de cortes. Em análise no programa TMC 360, a colunista Amanda Klein explicou os fatores que podem levar o Banco Central a manter a Selic no patamar atual.
Segundo Amanda, nos últimos dez dias houve uma deterioração das expectativas econômicas, especialmente em relação à inflação e ao câmbio, com a desvalorização do real e a alta do dólar. O cenário foi evidenciado pelo Boletim Focus, pesquisa semanal realizada pelo Banco Central com agentes do mercado financeiro.
A desaceleração mais acentuada da economia poderia justificar a continuidade da redução dos juros. No entanto, a colunista destacou que os estímulos econômicos anunciados pelo governo, como medidas de crédito, aumento do teto do MEI e do Bolsa Família, podem sustentar a atividade econômica e o mercado de trabalho, que segue forte.
Amanda Klein aponta fatores de pressão sobre a inflação
Na avaliação da jornalista, há uma combinação de fatores que pode pressionar os custos e dificultar a continuidade dos cortes da Selic. Entre eles estão:
- Desvalorização do real: a alta do dólar pode impactar os preços de produtos e serviços no dia a dia;
- Guerra do Irã: a continuidade do conflito afeta os preços dos combustíveis e da energia;
- Impactos agrícolas: Amanda mencionou o fenômeno climático El Niño como outro fator de pressão sobre os preços agrícolas;
- Fim da escala 6×1: a mudança, que ainda vai entrar em vigor, também foi citada entre os fatores considerados pelos economistas;
- Reforma tributária: a alíquota da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), anunciada acima de 11%, ficou superior aos cerca de 9% esperados pelo setor produtivo.
A colunista também observou que o governo tem anunciado medidas para tentar reduzir os impactos sobre os preços dos combustíveis e da energia, incluindo renúncias fiscais e zeragem de impostos.
Governo precisa sinalizar medidas de ajuste, diz colunista
Para Amanda Klein, esse conjunto de fatores oferece argumentos para que o Banco Central interrompa temporariamente a redução dos juros. A jornalista ponderou, porém, que ainda não há definição sobre o comportamento do Copom na reunião seguinte.
Ela também destacou a necessidade de o governo apresentar sinais sobre os rumos da política econômica, seja por meio do anúncio do novo ministro da Fazenda ou da apresentação de medidas de ajuste fiscal.
Segundo Amanda, a sinalização poderia envolver um ajuste gradual, conforme prometido durante a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
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