A pergunta que ficou para mim depois da sessão de terça-feira do Supremo Tribunal Federal é bastante simples: como Daniel Vorcaro conseguiu chegar a tanta gente?
Essa pergunta é mais importante do que a briga entre Alexandre de Moraes e André Mendonça.
Corrupção no Legislativo? Nada de novo. No Executivo? Também não. O brasileiro já aprendeu a conviver com isso. O problema começa quando a coisa chega ao Supremo.
A disputa em torno de uma possível investigação sobre Alexandre de Moraes mostra um STF atravessado por disputas políticas. Mendonça entrou numa briga em que seus adversários pareciam estar de fuzil e ele, com uma faquinha.
Fachin e Cármen Lúcia, naquele momento, me pareceram representar outra coisa: a República. Não uma torcida política.
Mas a pergunta continua. Como Vorcaro conseguiu chegar tão perto de tanta gente? Por que tinha acesso a tantos personagens do poder? A resposta, para mim, é menos sofisticada do que parece.
A República está à venda. Está há muito tempo.
Não é mais necessariamente a velha mala de dinheiro. É o acesso, a influência, a proximidade, o favor. A corrupção também fez seu upgrade.
E quando esse sistema chega ao STF, o problema deixa de ser apenas quem votou em quem. Passa a ser a própria instituição.
Se o Supremo não consegue investigar a si mesmo, temos uma situação curiosa: quem deveria proteger a República precisa ser protegido dela.
E aí sobra a pergunta mais desagradável de todas: o que vem depois?
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