Milton Leite se entrega à polícia após operação do Gaeco contra o PCC
Milton Leite, filiado ao União Brasil e com passagem pela presidência da Câmara Municipal de São Paulo, onde também exerceu o mandato de vereador, se entregou voluntariamente às autoridades na última sexta-feira (18/09), na delegacia de Mogi das Cruzes.
Contra ele pesa um mandado de prisão temporária no contexto da Operação Vectura Corrupta, deflagrada na quinta-feira (17/09) em ação conjunta do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) com a Polícia Civil.
De acordo com os investigadores, Leite teria comandado empresas ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC) na área de transporte público paulistano. Relatório anexado ao processo o descreve como figura de grande influência no setor e o identifica como o verdadeiro controlador da Transwolff, companhia do segmento de ônibus.
A Transwolff rejeita essa narrativa por meio de sua defesa. Em nota, a empresa sustenta que Leite jamais deteve qualquer participação societária em seus quadros, tampouco interferiu em sua administração ou emitiu ordens internas, classificando a alegação como inteiramente equivocada e sem qualquer correspondência com a realidade.
Em nota à TMC, a SSP confirmou que ele se apresentou pouco antes das 16h na DISE de Mogi das Cruzes.
Dinheiro apreendido e fintech investigada
Na operação, agentes localizaram R$ 280 mil e US$ 89 mil, equivalentes a aproximadamente R$ 457 mil, em um imóvel em Sorocaba. As investigações também alcançam uma fintech que, conforme apurado pelas autoridades, teria registrado movimentações financeiras da ordem de R$ 8 bilhões.
A Operação Vectura Corrupta é desdobramento da Operação Decurio, iniciada em agosto de 2024. Naquela fase, foram apreendidos 30 quilos de drogas em Itaquaquecetuba.
Defesa e versão do investigado
O ex-vereador é representado pelo advogado Milton Milreu. Antes de comparecer à delegacia, Leite declarou publicamente que se encontrava fora da cidade em viagem e que, ao retornar, demonstraria sua inocência.
O nome de Leite como suposto controlador real da Transwolff consta tanto de procedimento instaurado no Tribunal de Justiça Militar por policiais militares e investigadores, quanto de análises de mensagens atribuídas a José Daniel Satilite, identificado pelas autoridades como membro do PCC.
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