Levi comandava a SPTrans durante intervenção em empresas investigadas pelo PCC

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Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans (Foto: @levi_oliveirinha via Instagram e Divulgação SPTrans)

Levi dos Santos Oliveira comandava a SPTrans quando a Prefeitura de São Paulo interveio na Transwolff e na UpBus, empresas investigadas por suspeitas de ligação com o PCC.

Agora, uma nova investigação coloca o próprio ex-presidente da empresa municipal no centro da apuração.

Segundo decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, Levi teria mantido encontros periódicos destinados a tratar de interesses da facção relacionados a empresas de transporte. O documento destaca que isso teria ocorrido especialmente no contexto da Operação Fim da Linha, deflagrada em abril de 2024.

A coincidência das datas abre uma nova frente na investigação: com quem Levi se reuniu, quais empresas foram discutidas nesses encontros e o que a SPTrans decidiu sobre elas antes e depois das reuniões?

A decisão judicial analisada pela TMC não responde a essas perguntas e não aponta atos administrativos específicos praticados por Levi para beneficiar empresas ou integrantes do PCC.

Levi comandava órgão responsável pela fiscalização

Levi assumiu a presidência da SPTrans pela primeira vez em 2020, durante a gestão do então prefeito Bruno Covas.

Depois, deixou o posto para comandar a Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito. Em 2022, já na administração Ricardo Nunes, voltou à presidência da SPTrans, onde permaneceu até fevereiro de 2025.

Em 9 de abril de 2024, quando a Operação Fim da Linha atingiu Transwolff e UpBus, Levi estava à frente da empresa municipal responsável pelo planejamento, gerenciamento e fiscalização do transporte coletivo da cidade. Na mesma data, a Prefeitura decretou intervenção nas duas concessionárias.

O relatório oficial da SPTrans referente a 2024 registra que foram criados grupos de trabalho para apoiar as intervenções. Metade da equipe de Auditoria Interna da empresa foi deslocada para auxiliar os interventores.

Agenda mostra Levi com interventor da UpBus

A agenda oficial de Levi mostra que o então presidente da SPTrans acompanhava diretamente assuntos relacionados à intervenção.

Em 11 de julho de 2024, três meses depois da Operação Fim da Linha, Levi tinha um despacho marcado com Wagner Chagas Alves.

Wagner ocupava dois postos relevantes naquele momento: era diretor de Operações da SPTrans e interventor da UpBus.

A reunião ocorreu na sede da SPTrans, no centro de São Paulo. A agenda oficial registra ainda a participação de uma advogada da própria empresa municipal.

Investigação cita encontros para tratar de interesses da facção

Ao analisar a situação de Levi, a decisão do TJ-SP afirma que ele não era interlocutor direto de José Daniel Satilite, personagem central da investigação.

O documento, porém, acrescenta que os dois teriam mantido encontros periódicos.

Segundo a investigação, essas reuniões tinham como finalidade tratar de interesses da facção relacionados a empresas de transporte, especialmente depois da deflagração da Operação Fim da Linha.

A decisão não informa nesse trecho quando ocorreram todos os encontros, onde foram realizados ou quais empresas foram discutidas.

Também não descreve quais decisões administrativas da SPTrans teriam relação com essas reuniões.

Esse é o ponto que ainda precisa ser esclarecido.

O que aconteceu com Transwolff e UpBus

Durante a intervenção, equipes da SPTrans passaram a acompanhar diretamente a administração das concessionárias.

O relatório da própria empresa registra que funcionários da Auditoria Interna foram deslocados para apoiar os interventores e que Transwolff e UpBus estiveram entre as garagens visitadas por técnicos da companhia em 2024.

Levi permaneceu na presidência da SPTrans até fevereiro de 2025.

A Prefeitura posteriormente avançou para a substituição das empresas. No caso da Transwolff, o rompimento dos contratos foi decretado em dezembro de 2025. Em janeiro de 2026, a Justiça manteve a validade da medida enquanto a discussão judicial prosseguia.

Investigação aponta dimensão maior

A nova investigação não se limita à Transwolff e à UpBus.

Segundo a decisão judicial, 12 das 22 empresas que operam o transporte coletivo da capital seriam, em tese, controladas pelo PCC.

O documento não apresenta uma lista fechada dessas 12 empresas.

A apuração descreve uma estrutura que teria utilizado empresas, empresários, laranjas e agentes públicos para atender a interesses da organização criminosa.

É nesse contexto que os encontros atribuídos a Levi ganham relevância.

Ele não era apenas mais um agente público citado na investigação. Comandava a empresa municipal responsável por fiscalizar o sistema no qual, segundo os investigadores, a facção teria ampliado sua presença.

O que diz a defesa de Levi

Levi foi preso nesta quinta-feira (17/09) durante a operação que investiga a infiltração do PCC nas empresas de transporte.

A Justiça decretou sua prisão temporária por 30 dias.

Em nota, o escritório Fernando José da Costa Advogados afirmou que foi surpreendido pela prisão e ainda não havia obtido acesso aos autos e às circunstâncias que fundamentaram a medida.

A defesa destacou que Levi é primário, não possui antecedentes e construiu uma trajetória de décadas no serviço público.

A decisão judicial ressalta que as medidas adotadas são cautelares e não representam uma conclusão antecipada sobre a responsabilidade criminal dos investigados.