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José Gomes da Rocha, o Zé Gomes, teria 68 anos hoje. Em 2016, contudo, um atentado interrompeu a carreira política do ex-prefeito de Itumbiara, que também foi vereador, deputado estadual e deputado federal. No próximo dia 28 de setembro, completam-se dez anos da morte do político, que foi baleado durante uma carreata política. Com ele estava o ex-governador de Goiás, José Eliton (à época, vice-governador), também atingido pelos disparos na região do abdômen. Socorrido, ele sobreviveu e não teve sequelas.

O atirador foi identificado como Gilberto Ferreira do Amaral. O homem era servidor da Saúde da prefeitura e abriu fogo contra o veículo em que estavam os políticos, atingindo também o cabo da PM Vanilson João Pereira, que não resistiu, e o então advogado da prefeitura de Itumbiara, Célio Rezende. Seguranças revidaram e mataram o atirador.

Relembre
O candidato à prefeitura de Itumbiara pelo extinto PTB, José Gomes da Rocha, então com 58 anos, morreu na tarde de uma quarta-feira, 28 de setembro de 2016, após ser baleado enquanto participava de um ato de campanha. Gomes chegou a ser socorrido, mas não resistiu a um sangramento profundo e morreu no hospital.
Naquele momento, a assessoria de imprensa do Governo de Goiás detalhou que o atirador parou na frente do veículo em que Gomes e Eliton estavam e efetuou vários disparos. O ex-prefeito não resistiu.
O vice-governador foi socorrido e levado para o Hospital Municipal Modesto de Carvalho, em Itumbiara. Em seguida, uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) aérea de Goiânia transportou José Eliton e o advogado Célio Rezende para a capital. Eles foram levados de ambulância pelo Corpo de Bombeiros para o Hospital de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol).
Então deputado federal, Jovair Arantes também estava no veículo atacado. À época, ele afirmou que, quando o atirador se aproximou, imaginaram que ele cumprimentaria o candidato. “De repente, ele sacou a pistola e começou a atirar a esmo. Graças a Deus que um segurança da responsabilidade da vice-governadoria estava presente e matou o cara.”
A Executiva do PSDB lamentou a morte de Gomes em nota. “José Gomes da Rocha liderava as pesquisas entre os candidatos a prefeito de Itumbiara. Foi um homem honrado, trabalhador e muito querido, sobretudo pela população. A Executiva presta sua homenagem ao segurança Vanilson, também vítima fatal do atirador. Muito triste haver pessoas capazes de atos de tamanha violência e covardia.”
O TSE, presidido pelo ministro Gilmar Mendes, repudiou o atentado. Outras autoridades e políticos também divulgaram notas de repúdio ao caso e solidariedade à família do ex-prefeito.
Lembrança de José Eliton
Passados dez anos, José Eliton diz que aquele foi o tipo de atentado que marca a vida de qualquer pessoa. Ele recorda que era um momento de alegria, devido à vantagem de Zé Gomes nas pesquisas.
“Era mais um ambiente de celebração do que de campanha”, lembra. “Eu estava no Norte e cheguei em casa no dia 28 para comemorar o meu aniversário de casamento. Eu não ia, mas o Zé Gomes me pediu para participar e voltar à noite”, narrou.
Segundo Eliton, no momento do evento, tinham tantos foguetes que ele não percebeu os disparos. “Eu não senti o tiro, mas percebi que tinha sido atingido quando já estava caído. Na hora não teve dor. Depois, quando estava no carro, indo para o hospital, passei a mão nas costas. A bala tinha atravessado, eu senti o sangue”, contou.
Por sorte, o ferimento não atingiu nenhum órgão vital. Mas foi preciso uma cirurgia na barriga para ver se não precisaria de uma intervenção mais grave.

Processo de recuperação
O ex-governador revela que sua recuperação física foi rápida. Em cinco dias já estava em casa e, em 20, retomou as atividades. “Lembro que era o segundo turno em Goiânia e recebia algumas visitas em casa.”
Segundo ele, apesar de marcado pelo ocorrido, não ficou traumatizado. “Precisei reposicionar meu ponto de vista e refletir sobre a possibilidade de morrer, mas não tive traumas psicológicos, tanto que concorri às eleições após dois anos. Contudo, passei a ter mais prudência em determinadas situações”, disse.
A dor maior, porém, foi a saudade que ficou de Zé Gomes. “O Zé sempre teve um carisma muito forte, principalmente na região Sul. Quando deputado federal, ele teve apoios de outras regiões, mas era mais forte no Sul.”
Eliton afirma que o amigo era uma figura “carismática e carinhosa”, que atraiu recursos para Goiás e contribuiu muito como presidente da Saneago. “Teve um papel muito importante no Estado, mas a paixão dele era Itumbiara. Tanto que iria para mais um mandato”, enfatizou.
Segundo o ex-governador, era comum ele brincar com o amigo. “Eu falava que, se ele tivesse oportunidade, preferia ser prefeito de Itumbiara do que presidente do Brasil”, comentou.
Relato do fotógrafo
O fotógrafo Jota Eurípedes trabalhava com o vice-governador José Eliton e acompanhava a carreata quando ocorreu o atentado. Segundo ele, quando começaram os tiros, outros profissionais da imprensa correram, mas ele permaneceu, fazendo fotos.
“Estava acompanhando a carreata, quando vi esse cara [o atirador], o carro parado, vi o segurança do Zé Gomes descendo e indo para o lado dele. Nesse momento, ele puxou a arma e atirou na direção do segurança, no caminhão”, narrou. “Ele foi atrás do carro atirando, o segurança revidou e encheu ele de bala [SIC].”
Quando percebeu o ataque, Jota afirma que não pensou, apenas mirou a máquina e começou a fotografar. “Foram 16 segundos apertando [o disparador da máquina]. No rumo do caminhão e do atirador.”
Uma imagem que o marcou foi a do segurança atingido, no chão, ainda atirando. “Essa imagem me marcou.” Após o tiroteio, ele diz que foi uma grande “correria”. “O pessoal correndo para o hospital, o segurança pegou o José Eliton e jogou na caminhonete. Pegaram o Zé Gomes e as outras pessoas baleadas. E, na porta do hospital, em Itumbiara, foi um tumulto, com vigília e oração”, lembrou.
Questionado se teve medo, ele diz que foi “tenso”, do momento do tiroteio até chegar ao hospital, e depois no avião para Goiânia. “Não quero viver isso nunca mais”, desabafou.

Trajetória política de Zé Gomes
Veterano na política goiana, ele começou cedo, aos 18 anos, quando se tornou vereador do município e o mais jovem no cargo no Brasil. O candidato esteve na Câmara de Itumbiara por duas legislaturas e depois foi deputado federal por quatro mandatos, entre 1989 e 2003; em seguida, elegeu-se deputado estadual. Zé Gomes ainda foi coordenador regional da campanha de Fernando Collor (então PTC) em 1989.
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