Em entrevista ao influenciador conservador norte-americano Joey Mannarino, concedida antes de sua presença na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC) realizada em Mar-a-Lago, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL) disse, nesta quinta-feira (05/11), não ter receio das consequências da vitória democrata nas eleições legislativas de meio de mandato dos EUA, as chamadas midterms.
“Eles vão tentar medidas contra nós, mas não cabe ao Congresso aqui nos Estados Unidos revogar vistos ou cidadanias. Então, não tenho muito medo disso”, declarou Eduardo. Na conversa, publicada pelo perfil Newsforce, Eduardo abordou sua permanência nos Estados Unidos e a possibilidade de prisão no Brasil. Também foram mencionadas as eleições brasileiras e a ida de seu irmão, Flávio Bolsonaro, para os EUA.
“O Brasil é um laboratório, e eles estão tentando exportar isso para outros países”, afirmou Eduardo, ao manifestar preocupação com possíveis repercussões internacionais do cenário político brasileiro. Ele também criticou as eleições presidenciais do Brasil deste ano e disse que o resultado foi fraudado, sem apresentar provas.
A nova entrevista de Eduardo acontece após as midterms, quando os Democratas ampliaram sua bancada em pelo menos 18 cadeiras na Câmara dos Representantes e em sete no Senado, derrubando a maioria que os Republicanos detinham. A posse do novo controle democrata sobre o Legislativo federal está marcada para janeiro de 2027.
A vitória, porém, não implica deportação dos irmãos Bolsonaro. A política migratória dos EUA é conduzida pelo Poder Executivo, e não pelo Congresso.
Um grupo de 25 congressistas encaminhou ao secretário de Estado Marco Rubio um documento com 15 perguntas exigindo esclarecimentos sobre como Flávio conseguiu deixar o Brasil e ingressar em território norte-americano. O Departamento de Estado tem até 13/11 para apresentar respostas por escrito. A deputada democrata Pramila Jayapal figura entre os signatários da carta.
“Lula aumentou sua votação em todos os estados, mesmo nos estados de extrema direita, como em Santa Catarina, onde elegemos o governador e os dois senadores”, citou, mencionando estados como Roraima e Rio de Janeiro.
A chegada de Flávio aos EUA
Flávio Bolsonaro desembarcou nos EUA na semana após o resultado eleitoral, tendo deixado o Brasil pelo território argentino, descumprindo ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinava a entrega de seus passaportes. No Brasil, ele responde a investigações por suspeita de lavagem de dinheiro.
Eduardo, por sua vez, vive nos EUA desde fevereiro de 2025. O STF o condenou a 4 anos e 2 meses de prisão por coação no curso do processo. Antes da eleição presidencial brasileira, Eduardo havia defendido publicamente que Flávio deixasse o Brasil caso o candidato apoiado pela família perdesse as urnas.
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