Além disso, A TMC teve acesso ao processo do Ministério Público de São Paulo (MPSP) que pediu a condenação do influenciador Renato Cariani, Fábio Spinola Mota e Rodrigo Gomes Pereira pelos crimes de tráfico, associação criminosa voltada ao tráfico e lavagem de dinheiro.
Dessa forma, renato Cariani é influenciador e empresário do ramo fitness. Com isso, em 2024, ele foi indiciado por fazer parte de um esquema de desvio de substâncias químicas com destino a produção de drogas. Nesse sentido, segundo o MPSP, os denunciados “venderam e forneceram mais de 12 toneladas de produtos químicos destinados à preparação de drogas” entre 2014 e 2020.
A denúncia, no entanto, não se limita ao esquema de narcoráfico. Portanto, de acordo com o MPSP, um vínculo de proximidade entre André Dziuba, policial civil, e Cariani pode ter beneficiado o influenciador durante as investigações. O policial atuava no Setor de Produtos Controlados da Polícia Civil — órgão responsável por fiscalizar e controlar a circulação de substâncias químicas no estado. A promotoria sustenta que Dziuba repassava a Cariani dados sobre fiscalizações conduzidas no setor em que o empresário atuava.
Renato Cariani: Amizade, Troca de Favores e Consultas Técnicas
Segundo os promotores do GAECO, o vínculo entre o policial e o sócio da Anidrol ultrapassava o contato estritamente funcional. As conversas mantidas por aplicativos de mensagem demonstram relações afetuosas, convites para confraternizações com agentes da delegacia e solicitações de favores pessoais, incluindo o fornecimento de suplementos alimentares por Cariani para o tratamento de saúde do policial.
Em contrapartida, o policial consultava Cariani como especialista técnico para tirar dúvidas sobre a regulamentação e a utilidade de diversos produtos químicos sujeitos a controle sanitário da ANVISA. Em uma das mensagens registradas no documento, Dziuba consultou Cariani sobre o citrato de fentanila (Fentanest). O empresário confirmou tratar-se de substância controlada, ressaltando abertamente que ela é “utilizada para aumentar o rendimento da cocaína”. Em outro diálogo referente ao ácido bórico, Cariani também pontuou que o insumo costuma ser direcionado ao preparo de drogas.
Além das consultas técnicas, Dziuba compartilhava detalhes sobre fiscalizações que realizava em outras empresas e aceitava sugestões de Cariani sobre quais alvos deveriam ser inspecionados. Em dezembro de 2019, ao comentar a situação de um cliente fiscalizado, o policial fez um alerta contundente sobre o valor da proximidade com os agentes de controle: “você pode ser relacionado em um inquérito quando não for amigos que estão fiscalizando“.
Defesa espera absolvição
A defesa de Cariani reagiu ao pedido de condenação com uma nota. “Recebemos com naturalidade o pedido de condenação formulado pelo Ministério Público. Como parte acusadora, o órgão sustentou a tese que vinha defendendo desde o início da ação penal, e o pedido não representa nenhuma surpresa”, diz o texto.
A defesa também afirmou: “Temos convicção de que esse julgamento conduzirá à absolvição de Renato Cariani.”
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