Além disso, O primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, lançou acusações, sem respaldo em evidências, de que irregularidades eleitorais teriam contribuído para o desempenho dos partidos árabes nas eleições israelenses, nesta quinta-feira (29/10).
Dessa forma, tanto lideranças árabes quanto a Comissão Eleitoral Central de Israel rejeitaram as alegações, com o órgão declarando não existir base para afirmar que a integridade do processo eleitoral foi comprometida de forma sistemática. Vale ressaltar que os aspectos relacionados a partidos árabes continuam sendo acompanhados com atenção.
Com isso, com 53 cadeiras conquistadas pelo bloco de Benjamin Netanyahu e 48 pelo campo encabeçado por Gadi Eisenkot, nenhum dos dois lados alcançou o patamar de 61 cadeiras exigido para maioria parlamentar, cenário registrado quando 93% das cédulas já haviam sido contabilizadas. A apuração completa estava prevista para esta quinta-feira (29/10), com semanas de negociações pela frente para a composição do governo.
Partidos árabes e o recorde de cadeiras
A parcela árabe da população israelense, equivalente a cerca de 21% do total, tinha perspectiva de eleger 19 cadeiras, um recorde histórico. Embora Eisenkot tenha descartado, até então, integrar formalmente partidos árabes a uma eventual coalizão, seu campo poderia buscar um governo minoritário sustentado pelo apoio externo da Lista Conjunta ou do Ra’am, sem que essas legendas fizessem parte do gabinete.
Ahmad Tibi, da Lista Conjunta Árabe, classificou as declarações de Netanyahu como uma campanha deliberada para desestabilizar o processo eleitoral. “Toda essa campanha é dirigida contra Eisenkot, para impedi-lo, intimidá-lo e dissuadi-lo de formar um governo que conte com apoio externo da Lista Conjunta ou do Ra’am”, declarou Tibi. Para o cientista político Eytan Gilboa, da Universidade Reichman, a estratégia visaria “deslegitimar qualquer cooperação entre árabes e judeus”.
Prisões, Shin Bet e acusação ao Catar
Autoridades policiais israelenses anunciaram a detenção de pelo menos sete pessoas no sul do país, entre terça-feira e os dias seguintes, sob suspeita de irregularidades eleitorais. O Likud, de Netanyahu, encaminhou pedidos à polícia e ao Shin Bet para que apurassem denúncias de suborno e coerção em municípios árabes, alegando dispor de provas, que, no entanto, não foram tornadas públicas.
Segundo a emissora Kan, os suspeitos teriam tentado comprar votos em favor do Ra’am, legenda de base árabe com vínculos islâmicos. O magistrado Noam Sohlberg, presidente da Comissão Eleitoral Central e integrante da Suprema Corte, comunicou haver acionado o Shin Bet para apurar indícios de interferência por parte de agentes estrangeiros ainda não identificados.
O Likud apontou o Catar como possível responsável pela suposta ingerência externa, descrevendo o episódio como um ataque à democracia de Israel e “uma islamização de Israel e a derrubada da direita com o objetivo de provocar a retirada das Forças de Defesa de Israel (IDF) e a derrota em todas as frentes, principalmente no Irã”, acusação que o país do Golfo negou categoricamente. Mansour Abbas, líder do Ra’am, também repudiou qualquer ligação do partido com as condutas investigadas e defendeu uma apuração ampla e transparente. “Nada vai adiantar, porque não há nada de concreto”, afirmou Abbas.
A Comissão Eleitoral Central reiterou que “não há fundamento para alegações de que houve prejuízo sistemático à integridade da eleição”.
Para mais detalhes e apuração completa, consulte a fonte da notícia.
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