Sobre o tema envolvendo Ajuste fiscal, além disso, A economia será um dos grandes desafios do próximo ciclo político, independentemente de quem vença hoje nas urnas: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta a reeleição, ou seu desafiante, o senador Flávio Bolsonaro (PL). Dessa forma, O ocupante do Palácio do Planalto em janeiro terá de lidar não só com a crescente pressão do setor financeiro por um ajuste nas contas públicas, mas também com um ambiente externo e interno particularmente adverso.
O horizonte inspira cuidados pela combinação de desaceleração econômica com inflação persistentemente acima da meta, ainda que o IPCA esteja em um patamar relativamente baixo para a história recente do país. Com isso, os choques derivados da alta do petróleo e do fenômeno climático El Niño, que está se intensificando, em um contexto de taxas de juros elevadas nos Estados Unidos, reforçam o quadro de preocupação no mundo das finanças e deixam o terreno mais acidentado. Vale ressaltar que os aspectos relacionados a Ajuste fiscal continuam sendo acompanhados com atenção.
Nesse sentido, esse cenário amplia as pressões por sinalizações do governo que melhorem a confiança dos investidores e facilitem a continuidade dos cortes na taxa básica de juros — hoje em 13,75% ao ano — pelo Banco Central (BC), bem como nas de mercado, mais altas, que alimentam o alto endividamento das famílias e das empresas, um tema que foi explorado na campanha eleitoral pelos candidatos.
Contexto e detalhes sobre Ajuste fiscal
Portanto, A disputa extremamente acirrada tornou essa discussão ainda mais delicada politicamente do que ela costuma ser. As campanhas de Flávio e Lula deram poucas pistas do que efetivamente farão para melhorar estruturalmente o resultado primário (receitas menos despesas, exceto juros) do setor público ao longo do tempo, em um país com endividamento crescente.
Ajuste fiscal
Depois de ter sinalizado um ajuste fiscal mais forte, com cortes de despesas — não detalhados — da ordem de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro ano, o equivalente a R$ 200 bilhões, o candidato do PL passou a evitar o tema diante dos movimentos da campanha petista apontando que isso significaria cortes profundos em programas sociais.
Além de uma ordem para seus principais assessores não darem mais entrevistas antes da votação do segundo turno, as declarações de Flávio se perderam em generalidades e confusões conceituais, como dizer que o corte viria em grande parte da redução das taxas de juros do mercado, ainda que isso não afete o saldo primário.
Principais pontos e impactos da decisão
Na campanha à reeleição de Lula, depois de o governo ter feito sinalizações de bastidores de que poderia ter uma postura mais contida no gasto, os representantes econômicos do presidente mudaram a posição. Com o petista evitando publicamente dar sinais de que poderia adotar um corte de gastos, ministros e técnicos passaram a apontar simplesmente para a trajetória de ajuste gradual prevista no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027.
Mesmo esse indicativo, porém, passou a ser questionado por economistas, por conta da série de medidas tomadas por Lula com alto impacto fiscal nas últimas semanas para tentar virar o jogo eleitoral. O pacote de benefícios já mobilizou R$ 298,4 bilhões em 2026, segundo cálculos da Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado, e obtidos pelo GLOBO.
Nesse sentido, as autoridades da área econômica passaram a reforçar que as medidas estão todas dentro do limite de gasto e não mudam a trajetória desenhada pelo governo para o período de 2027 a 2030, ainda que demandem um remanejamento orçamentário.
Entre vários economistas ouvidos pelo GLOBO, há uma leitura consensual de que enfrentar o problema das contas públicas terá de ser a base do trabalho e um dos principais desafios a serem encarados pelo próximo presidente.
Não há dúvida de que, em 2027, seja quem for o eleito, terá que adotar uma disciplina fiscal forte. Os candidatos não puderam falar disso durante a campanha porque é um tema impopular — diz o ex-presidente do BC e ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles, destacando que esse processo terá de passar por medidas que cortem despesas obrigatórias (boa parte gastos sociais), permitindo que o país trabalhe com juros mais baixos.
Ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e professor da FGV EESP, Márcio Holland avalia que o Brasil precisa de um “Plano Real para reduzir os juros”. Ele explica que isso passa necessariamente por um programa de consolidação fiscal que inclua medidas de curto e médio prazo e tenha um horizonte de dez anos.
O governo sempre acha que faz um ajuste fiscal em um ano e está tudo resolvido. Dessa vez não vai dar certo assim porque você tem uma rolagem de dívida muito cara no Brasil — afirma Holland, que tem pesquisado o tema das altas taxas de juros no país.
Outros especialistas em contas públicas que passaram por diferentes governos, mas pediram anonimato, apontam que o ajuste fiscal terá de combinar não só corte e revisão de despesas, mas também um enfrentamento consistente de temas como os benefícios tributários, aumentando receitas. Além disso, uma dessas fontes observa que uma revisão de despesas não deveria ser feita penalizando investimentos públicos, para não levar o país a uma recessão que inviabilize o próprio ajuste fiscal.
Também foi destacada a necessidade de distribuição dos custos dos ajustes, enfrentando as altas cifras de emendas parlamentares, supersalários (especialmente do Judiciário) e benefícios previdenciários de determinadas categorias do setor público, como a militar.
João Prates Romero, professor do Departamento de Economia da UFMG, concorda com essa tese, mas pondera a necessidade de equalizar o ritmo de crescimento dos gastos públicos dos últimos anos, o que implicaria rediscutir o ritmo de alta real do salário mínimo. Romero salienta ainda a necessidade de aprofundar o redirecionamento da estrutura produtiva do país para lidar com a mudança climática.
A implementação da Reforma Tributária, que tem sinais de atraso, o custo da energia no Brasil, a exploração de minerais críticos e a revolução tecnológica da inteligência artificial também foram citados pelos economistas como desafios prioritários para o próximo ocupante do Planalto.
Saída para a estagnação
Para Silvia Matos, pesquisadora do FGV Ibre e coordenadora do Observatório de Produtividade Regis Bonelli, um dos grandes desafios econômicos do próximo presidente será superar a relativa estagnação da produtividade no país. Segundo ela, isso passa pela resolução do problema fiscal, que levaria a uma queda estrutural dos juros e permitiria ampliar os investimentos. Para a especialista, o Estado precisa trocar uma lógica de benefícios setoriais por uma atuação mais qualitativa. E cita como exemplo a necessidade de melhorar a estratégia de investimento em educação para preparar trabalhadores para a nova era da IA.
Para mais detalhes e apuração completa, consulte a fonte da notícia.
Veja também: “Vagas direcionadas”: Hugo Bravo afirma que bastidores estão prejudicando o Vila na reta final da Série B



