Sobre o tema envolvendo patrulha do voto, além disso, uma coisa curiosa nas eleições brasileiras é a necessidade que algumas pessoas têm de saber em quem os outros vão votar. Dessa forma, não basta votar. Com isso, É preciso anunciar a escolha, de preferência para provar que você é uma pessoa decente. Nesse sentido, É a velha mania de confundir política com superioridade moral.
Portanto, já vimos isso em 2022 e estamos vendo de novo. Na classe artística, por exemplo, há quem faça chacota de colegas que não declaram o voto. Em seguida, como se artista fosse uma categoria moralmente superior. De acordo com as apurações, uma piada, evidentemente. Por outro lado, não existe classe moralmente superior. Vale destacar que existe gente que gosta de se imaginar acima dos outros.
Sendo assim, quando você pressiona alguém para revelar o voto, seja um amigo, um familiar ou um vizinho, está praticando uma forma de assédio moral. Além disso, quer saber se o outro pensa como você. E, se não pensa, quer constrangê-lo. É a democracia transformada em teste de obediência.
Contexto e detalhes sobre patrulha do voto
Convém lembrar o óbvio, que aparentemente anda esquecido: o voto é secreto. O cidadão não é deputado, senador ou candidato à Presidência. Não deve satisfação a ninguém sobre sua escolha. O segredo existe justamente para proteger o indivíduo da pressão dos outros.
A turba não gosta de indivíduos. Gosta de rebanhos. Quer todo mundo repetindo a mesma coisa, usando as mesmas palavras e demonstrando a mesma indignação. Quem fica em silêncio vira suspeito. Quem discorda vira inimigo. É assim que a patrulha moral funciona.
Agora inventaram essa conversa de voto transparente. Transparente deve ser o dinheiro público, a conta dos governantes, os gastos de campanha. O eleitor não tem obrigação de colocar sua consciência numa vitrine para satisfazer a curiosidade alheia.
É claro que qualquer pessoa pode declarar o voto se quiser. Pode fazer campanha, defender seu candidato e tentar convencer os outros. O problema é transformar uma escolha pessoal numa obrigação pública. A liberdade de expressão não dá a ninguém o direito de exigir confissões políticas dos demais.
No fundo, essa gente parece não confiar na liberdade que diz defender. Precisa fiscalizar o pensamento alheio, como se cada cidadão tivesse de apresentar um certificado de virtude antes de entrar numa conversa.
Quem pressiona os outros a revelar o voto deveria sentir um pouco de vergonha. A democracia não precisa que você saiba em quem seu vizinho vota. Precisa que você aceite que ele não tem obrigação nenhuma de lhe contar.
Para mais detalhes e apuração completa, consulte a fonte da notícia.
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