Sobre o tema envolvendo Premier League, além disso, O futebol inglês movimenta cerca de 9 bilhões de libras por ano. Dessa forma, É uma potência comercial sem precedentes. Com isso, mas existe uma contradição: 94% dos clubes das cinco principais divisões registraram prejuízo na temporada 2025/26. Nesse sentido, A indústria nunca foi tão rica. Portanto, E seus clubes continuam perigosamente vulneráveis.
Em seguida, O cenário é ainda mais preocupante: quase dois terços dos clubes das divisões inferiores analisados são tecnicamente insolventes, e mais de um quarto dos clubes examinados não sobreviveria por mais de 30 dias caso seus proprietários interrompessem o financiamento.
De acordo com as apurações, como uma indústria tão bem-sucedida comercialmente chegou a esse ponto?
A discussão sobre a regulação do futebol inglês vai muito além de balanços financeiros e limites de gastos. Por outro lado, E o caso da Premier League mostra que faturar mais não significa, necessariamente, construir um negócio saudável.
O problema não é o dinheiro. É o que o futebol faz com ele
Vale destacar que desde sua criação, em 1992, a receita média dos clubes da Premier League cresceu mais de 30 vezes. Sendo assim, no mesmo período, o PIB do Reino Unido aumentou aproximadamente três vezes.
Além disso, mas os custos acompanharam essa expansão. Dessa forma, segundo o relatório, os gastos com salários de jogadores cresceram cerca de 50 vezes na primeira divisão inglesa desde 1992. Com isso, na Championship, segunda divisão, as perdas médias chegaram a aproximadamente £ 22 milhões na temporada mais recente analisada, o equivalente a cerca de 60% da receita média dos clubes.
Nesse sentido, vinte dos 116 clubes examinados gastaram mais de 80% de suas receitas com salários. Portanto, seis ultrapassaram 100%.
Há algo errado quando um clube compromete mais dinheiro com a folha salarial do que consegue gerar em receitas. E o problema não está restrito às divisões menores, a dívida total dos clubes analisados cresceu de aproximadamente £ 2,8 bilhões em 2020-21 para £ 4,1 bilhões.
O futebol criou uma corrida armamentista na qual gastar mais virou sinônimo de ambição. O problema é que nem todos conseguem sustentar essa corrida.
A liberdade de gastar não pode significar liberdade para colocar um clube em risco
Existe um argumento legítimo contra a regulação excessiva. Clubes são empresas, seus proprietários investem capital e precisam ter autonomia para tomar decisões.
Mas autonomia não é ausência de responsabilidade.
Assumir riscos com o próprio dinheiro é diferente de manter uma operação que depende permanentemente de novos aportes, empréstimos ou da disposição do proprietário de cobrir prejuízos. O que acontece quando esse investidor perde o interesse ou decide não colocar mais dinheiro no clube?
O problema deixa de ser exclusivamente empresarial. Um clube não é uma marca que o consumidor abandona quando o produto deixa de agradar. Ele representa uma comunidade, uma identidade e uma história que atravessa gerações. O investidor pode ir embora. O torcedor continuará convivendo com as consequências.
Por isso, considero legítima a intervenção de um regulador quando a autonomia de gestão ameaça a sobrevivência da instituição. Não para decidir quem deve ser contratado, mas para estabelecer condições mínimas de sustentabilidade, transparência e responsabilidade financeira.
A Premier League também precisa olhar para o restante do futebol
O segundo problema é a concentração de receitas. De acordo com o relatório, a diferença entre a receita média de um clube da Premier League e a de um clube das divisões inferiores passou de aproximadamente três vezes, no início da década de 1990, para cerca de nove vezes em 2024-25.
Para muitos clubes, chegar à primeira divisão representa uma transformação financeira. Não conseguir o acesso pode significar anos de investimentos sem retorno. E ser rebaixado pode provocar uma queda de receitas difícil de absorver, principalmente quando os custos foram estruturados para outro patamar.
É nesse contexto que a Premier League e a English Football League (EFL) discutem uma nova distribuição de recursos. A elite defende uma solução negociada pelo próprio futebol, enquanto as divisões inferiores reivindicam mais apoio financeiro. O regulador, por sua vez, defende que a Premier League compartilhe uma parcela maior de suas receitas centralizadas.
O futebol inglês precisa preservar a força comercial da elite sem deixar que o restante da pirâmide se torne cada vez mais vulnerável.
Isso não significa retirar o mérito de quem construiu uma operação bem-sucedida. Significa reconhecer que a Premier League também depende de um ecossistema de clubes, comunidades e competições que vai muito além dos 20 participantes da primeira divisão.
Se os clubes receberem novos recursos e imediatamente aumentarem suas folhas salariais, assumirem dívidas ou gastarem acima da capacidade financeira para tentar subir de divisão, o dinheiro adicional poderá apenas financiar a próxima crise.
Mais dinheiro, sem responsabilidade, significa um adiamento do problema
É por isso que a distribuição de receitas e o controle de custos precisam caminhar juntos. Um acordo financeiro sem compromissos de sustentabilidade corre o risco de premiar justamente o comportamento que levou muitos clubes à situação atual. Por outro lado, impor restrições sem considerar as diferenças entre as divisões pode consolidar as vantagens de quem já está no topo.
O desafio é criar regras que permitam o investimento, preservem a competitividade e incentivem uma gestão responsável. Mas esse crescimento deve fortalecer os clubes, e não torná-los cada vez mais dependentes de dinheiro externo.
Desde 2026/27, a Premier League passou a utilizar mecanismos como o Squad Cost Ratio, que estabelece uma referência de 85% das receitas relevantes para gastos com o elenco, com tolerâncias e sanções previstas. A questão, portanto, já não é apenas criar regras, mas avaliar se elas são suficientes para garantir a sustentabilidade dos clubes.
O relatório do regulador ainda é preliminar e as propostas precisam ser transformadas em medidas concretas. O debate entre as ligas continua. Mas os números já mostram que ignorar o problema não é uma opção razoável.
A liberdade de gestão deve continuar existindo. A ambição esportiva também. Mas nenhuma das duas pode ser tratada como um cheque em branco quando a sobrevivência de clubes centenários está em jogo.
Regular o futebol não significa impedir que ele cresça. Significa impedir que sua própria riqueza coloque em risco os clubes que o sustentam.
Afinal, de que adianta construir a liga mais rica do planeta se parte do futebol que a tornou possível não consegue sobreviver?
Para mais detalhes e apuração completa, consulte a fonte da notícia.
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