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O pedreiro Edimar Rocha Martins, de 49 anos, voltou a Imperatriz (MA) na quinta-feira (15), depois de viajar mais de 2 mil km até Belo Horizonte para encontrar uma mulher criada por inteligência artificial (IA). Apesar de ter descoberto que a suposta companheira não existia, ele afirmou que não se arrepende da viagem e pretende procurar outra mulher na capital mineira.
“Eu vou encontrar outra e vai ser no mesmo lugar onde eu fui e eu vou de novo”, declarou Edimar em um vídeo divulgado nas redes sociais após retornar para casa. Ele também afirmou que pretende seguir em frente depois da decepção. “Ninguém pode baixar a cabeça não.”
Edimar deixou Imperatriz no dia 9 de outubro e chegou a Belo Horizonte no domingo (11). O objetivo era encontrar uma mulher que se apresentava nas redes sociais como Jéssica Oliveira, também conhecida como Jéssica Fazendeira.
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Nos vídeos, a personagem aparecia em uma propriedade rural, dizia procurar um companheiro e oferecia moradia e ajuda financeira a quem aceitasse viver com ela. As imagens e a voz, entretanto, eram produzidas por inteligência artificial.
Sem saber o endereço da suposta namorada, o pedreiro procurou informações nas ruas de Belo Horizonte e chegou a mostrar fotografias dela a moradores. Foi durante essa busca que descobriu que Jéssica não era uma pessoa real.
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Pedreiro diz que vendeu pertences para viajar
Em entrevista concedida após retornar ao Maranhão, Edimar contou que vendeu pertences para financiar a viagem a Minas Gerais. Ele pretendia deixar Imperatriz e começar uma nova vida ao lado da mulher que acreditava conhecer pela internet.
Sem dinheiro para custear o retorno, procurou atendimento da Prefeitura de Belo Horizonte. O município forneceu alimentação, acolhimento e uma passagem de ônibus para o Tocantins, estado onde o pedreiro nasceu.
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Edimar deixou Belo Horizonte na terça-feira (13). Durante a viagem, passou mal e precisou de atendimento médico em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Posteriormente, decidiu seguir para Imperatriz, onde chegou na noite de quinta-feira, após mais de 50 horas de deslocamento.
Ele está hospedado na casa de uma irmã.
Criador da personagem nega contato com pedreiro
Edimar afirma que conversava pela internet com a mulher apresentada nos vídeos. O responsável pelo perfil de Jéssica Fazendeira, entretanto, nega ter mantido contato particular com ele ou feito qualquer convite para que viajasse a Minas Gerais.
Em entrevista ao g1, o administrador da conta, que não quis se identificar, afirmou que criou a personagem para atrair público e divulgar produtos comercializados pela internet. Segundo ele, os vídeos eram utilizados para gerar engajamento e vendas.
O responsável disse ainda não saber se outras pessoas utilizaram as imagens de Jéssica em perfis diferentes.
A Polícia Civil de Minas Gerais informou que não havia localizado registro de ocorrência relacionado ao caso. A instituição esclareceu que a criação de personagens virtuais não constitui crime por si só, embora o uso de inteligência artificial para obter vantagens mediante fraude possa configurar infração penal.
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